domingo, 25 de julho de 2010

Fórmula 1 só é circo no Brasil

Hoje, mais uma vez, assistimos a uma palhaçada na F1. Mais uma vez, ficamos frustrados com uma ordem de equipe para que nosso piloto abrisse passagem para seu companheiro de dando-lhe a vitória de bandeja.

Foi assim com Barrichello x Schumacher em 2002, foi assim com Massa x Alonso em 2010. Porém, outros detalhes em comum nas duas histórias passam desapercebidos pela visão e mente bitoladas dos 99% dos torcedores brasileiros de F1. Nos dois casos, os companheiros de equipe dos brasileiros são nitidamente melhores e mais rápidos. Nos dois casos, os companheiros de equipe dos brasileiros são nomes mais fortes na F1, que trazem mais valor ao negócio. E nos dois casos, os gringos são campeões mundiais com resultados bem mais expressivos.

Porém, a questão envolvida não é se a F1 é esporte ou não, ou se pode ser feito ou não jogo de equipe. O jogo de equipe, que aqui no Brasil é tido como roubo é natural em diversos outros esportes, inclusive a motor. Na F-Indy é normalíssimo fazer jogo de equipe, porque afinal o jogo é de EQUIPE e o time vencendo vencem todos. Mas como a Bárbara Gancia disse no blog dela, o problema é que na F1 atual o jogo de equipe é proibido e mesmo sendo uma proibição das mais babacas, se está na regra deve ser respeitada a ordem de não "manipulação do resultado" senão ficamos todos com cara de otários em frente a TV.

De qualquer forma, o novo episódio serve de modelo para abrir a cabeça do torcedor brasileiro. A Ferrari manda na F1, pois ela tem sozinha o poder de destruir a categoria caso se retire. O romantismo acabou há décadas e faz MUITO tempo que os campeonatos são decididos muito mais fora do que dentro das pistas.

A ira que o torcedor sentirá de Alonso, chamando-o de ladrão ao mesmo tempo em que chama Felipe Massa de cagão é cega e infundada, pois quem não acompanha a F1 apenas desde a semana passada sabe que Piquet e Senna não eram conhecidos exatamente pelo seu caráter angelical. Senna era especialista em engolir o companheiro de equipe e sabia como ninguém que a pressão exercida fora impactava nos resultados dentro da pista.

Vaiar puramente o que aconteceu hoje é típico de quem só acompanha F1 vez ou outra e acredita em tudo o que vê na Globo, inclusive na canonização do Senna como um exemplo a ser seguido em qualquer circunstância. No Brasil a F1 é um circo, assim como tudo o que é nosso, mas lá fora ela é uma empresa e como qualquer outra, tem que dar lucros, mesmo que isso desagrade Barrichello, Massa e o resto dos brasileiros.

7 Comentários:

João Paulo Carragher disse...

Excelente texto, tenho tentado avisar isso, mas não consegui me expressar tão bem e o povo não quer entender, enfim...

Ty disse...

Se a Ferrari estivesse pensando no mundial de constructores daria igual o Alonso ou Felipe ganhar a corrida, seria drobradinha de qualquer maneira. Mas é obvio que tendo um piloto campeao a Ferrari recebe muito mais dinhero dos patrocinadores. Até ai nenhum problema, é um modelo de negocio como qualquer outro, o problema deste modelo é que todos acabam virando covardes e tornando-se escravos do lucro, o Felipe com com medo de desacatar uma ordem da equipe e perder seu emprego e a FIA com medo de retirar os pontos da Ferrari (como fez da outra vez) com medo provocar uma retirada dela da categoria e consequentemente sair no prejuizo. Eu penso que se alguém quer ser campeao em alguma coisa deve demonstrar que merece isso nas situaçoes de adversidade e sem a necessiade de ajuda externa. A Ferrari sabendo que Alonso é melhor piloto que Felipe e vinha mais rapido pensou: -"Bom, poderiamos ver uma grande disputa por posiçao entre 2 grandes pilotos o que seria saudavel pro esporte, mas nao temos tempo pra isso, temos que gerar lucro rapidamente." E o resultado foi o que vimos. Nao fico puto por ser um brasileiro até porque os atletas de hoje nao competem por naçoes, mas sim por corporaçoes. O mais revoltante é toda a farsa que se cria em torno disso: o engenheiro da Ferrari dando a ordem através de codigo ("Voce entendeu a mensagem?") e logo depois se desculpando na maior cara de pau. E depois do champanhe os 2 pilotos voltando para subir no lugar mais alto do podio assim como aconteceu quando Schumi emprestou o troféu pra Barrichello comemorar. Ou seja, uma grande pedida pra quem gosta de teatro!

Luciano disse...

O problema todo começa com essa coisa do Brasil contemporâneo de ser politicamente correto.

Michael disse...

Cara, parabéns pelos teus posts, muito bom mesmo. Ganhas aqui mais um seguidor assíduo. Abraço

Leonardo disse...

Nobre bqeg, mais um excelente texto, só acho que vc queria dizer "despercebidos" em vez de "desapercebidos" (tem diferença). Um abraço.

lcmuniz disse...

Pra mim, F1 não é esporte. Era melhor se tirassem os pilotos do carro e colocassem eles numa sala guiando por controle remoto. Não ia fazer a menor diferença. Não assisto normalmente.

Outro dia, já lá pela volta 40 comecei a ver uma corrida. Daquela volta até a última (acho que 75) sabe o que aconteceu? Nada! Só carros dando voltas na pista um atrás do outro. Parecia um desfile. O Galvão Bueno só pode ser um milagreiro pra manter uma pessoa durante duas horas vendo carros passeando na pista...

Bruno Lima disse...

Concordo com o texto. Agora vamos imaginar como seria uma ordem dessa pro Nelson Piquet.

- Piquet, o Alonso esta mais rápido que você. Entendeu a mensagem?
- Vai se fuder, manda esse bosta passar por cima.

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