quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ninguém precisa de ciclovias.

O assunto aquecimento global andou durante anos esquentando a cabeça de muita gente (com trocadilho). Muita gente saiu por aí estufando o peito (nossa, estou impossível hoje) falando que a água do planeta vai acabar em poucos anos, que estamos destruindo o planeta, whiskas, sachê.


Muitas coisas são verdade, outras são apenas frutos de nossa mais pura especulação, afinal temos registros históricos irrisórios até mesmo para a história da humanidade, que dirá do planeta. E um tempo atrás começou o frenesi em prol das ciclovias.

Vou lhes dizer uma coisa ou duas sobre bicicletas. Eu fui parte de um grupo de Mountain Bike durante 6 anos. Fazia trilha todos os sábados e domingos, com percursos variando entre asfalto, terra e mata que iam de 35 a 70km. Sim, eu tirava a bike de casa e pedalava 70km mato adentro. Saía de casa as 5h e chegava as 17h. Competi em diversos campeonatos de corrida de aventura (com provas de bike, rapel, natação, corrida e orientação) e regularidade. Pedalava uma média de 200 a 250km por semana.

1) O primeiro passo para virar ciclista, é ter uma bicicleta e tirá-la de casa. Prêmio capitão óbvio pra mim, mas as vezes pra se fazer ouvido a gente tem que ser óbvio mesmo. Se você tem uma bicicleta em condições de uso, passe para o item dois. Se você não tem, vá comprar ou peça emprestada;

2) Ciclovias são SIM importantes, mas não são elas quem devem condicionar se você vai ou não andar de bicicleta. Você pode pedalar em parques ou em lugares isolados sem trânsito de veículos. A questão é: você está disposto a fazer isso pela sua saúde?

3) Segurança é TUDO quando se anda de bike. Já vi pessoas gastando R$5.000,00 numa bicicleta (acreditem, tem bicicleta até de R$20.000,00) e economizando R$20,00 no capacete. Na bicicleta a sua cabeça é o parachoques. Qualquer colisão, seja com outro ciclista, com o chão ou com um carro terá sequelas terríveis se você não usar o capacete. Você é cabeça dura se não usar, mas no sentido figurado. Joelheiras e cotoveleiras são interessantes mas não essenciais. Luvas são obrigatórias.

Eu cansei de ver pessoas cobrando ciclovias mas garanto: podem transformar o mundo numa maldita ciclovia gigante e o número de pessoas pedalando vai aumentar ridiculamente. Ninguém está realmente disposto a ir pedalando para o trabalho. Esqueçam essa idéia, é utopia pura. Jamais vá de bicicleta pro trabalho no meio do tráfego, em linhas gerais se o motorista, por mais correto que seja tiver que desviar para não colidir com o outro carro, por reflexo e auto-preservação ele não pensará duas vezes em jogar o carro em cima de você.

Ruas e avenidas não foram feitas para bicicletas, lide com isso. Procure outras alternativas. A questão de reduzir o tráfego envolve muito mais do que criar ciclovias. Envolve saúde pública, estrutura PARA as bicicletas (duvido que você consiga colocá-la no bolso quando chegar ao destino), transporte público, civilidade e diversas outras variáveis. A maioria das pessoas que esperneiam pelas ciclovias trabalha no máximo a uns 5km de casa. Assim até meu avô asmático.

Se você quisesse, já estaria pedalando. Não o faz por pura preguiça. É igual ao sujeito que adora ir pra praia, mora no litoral mas não dá um mergulho há anos mesmo passando na frente da praia todos os dias (eu). É acomodação. Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve. Com ou sem ciclovia.

2 Comentários:

Tes-Hahn disse...

Opinião mais dura e crua impossível. Concordo plenamente com tuas palavras, somos todos acomodados e usamos muletas diariamente, arranjamos desculpas até para justificar o porque usamos desculpas para tudo! Das variáveis que você citou, a que mais acho difícil haver uma mudança radical é, infelizmente, a civilidade, mesmo sendo a mais fácil por só depender de cada um (e por isso mesmo é a mais difícil, ironicamente).

Eu ia pro trabalho todo dia de bicicleta, só parei porque a roubaram de frente da minha casa numa madrugada. Quando comprar outra providenciarei um capacete... valeu pela cutucada!

Ana Claudia disse...

Tenho a sorte de trabalhar há SEIS anos na mesma empresa, e dela ser no bairro onde moro, na zona sul. Consigo viver à margem do caótico trânsito de São Paulo, com raríssimas exceções, quando saio em visita a clientes. Mas não foi sempre assim! Já atravessei a cidade de ônibus, trem, carro e metrô, chegando a ficar quase quinze horas fora de caso diariamente, em função das distâncias e oportunidades que eu tinha nesse período.

Há cerca de quinze dias, a empresa onde trabalho inaugurou novas instalações, agora em prédio próprio. Antes eu subia uma avenida íngreme para chegar à Av. Interlagos, mas ainda assim, em no máximo quinze minutos, estava no trabalho. Agora estamos na travessa de uma outra avenida, mais para baixo de minha casa. Foi a oportunidade de ouro que tive para tirar a poeira da minha bicicleta. Sempre gostei de esportes aeróbicos, como a corrida, e praticava sempre que possível o mini triatlo. Filho pequeno e preguiça me tiraram do circuito por quase cinco anos.

Tive minhas fases de ir ao trabalho de bicicleta, mas não contava com a ciclovia que hoje existe ao lado do Rio Pinheiros, na Av. Nações Unidas, (recém-inaugurada), e em alguns momentos, precisava andar pela calçada, colocando em risco, então, pedestres com quem eu era obrigada a dividir o espaço. Ir para o trabalho de bicicleta não era cômodo, embora eu adorasse essa liberdade... Eu não tinha SEGURANÇA nenhuma.

Agora, voltei a trabalhar de bicicleta. Encurto meu tempo, pedalo, e já venho melhorando minhas marcas, e estendendo trajetos, para curtir um pouco mais esse prazer. Também tenho almoçado em casa. E quanto mais pesada a marcha, mais gostoso fica. Meu trajeto é simples e livre de trânsito. O que ganhei com isso? Mais fôlego, mais liberdade, e uma pele mais bonita. Obviamente não tenho coxas de pedra como você deve ter, Marcel, em função dos percursos que você fazia, mas tenho ganho em qualidade de vida. Quer coisa melhor? XDD

Beijo,

@carnedepescoco

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