segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A dura vida de ganhar uns caraminguás blogando

Ler esse competente texto do meu amigo Pablo Peixoto me fez refletir. Brasileiros são apaixonados pela Internet. Somos um dos povos que mais tempo passa on-line, principalmente em jogos ou em redes sociais. Demorou, mas as pessoas perceberam que através dessas ferramentas, podem atingir um determinado nível de status, de sucesso ou mesmo ganhar dinheiro.


Com a popularização dos blogs profissionais ficou parecendo que é fácil ganhar dinheiro com blogs. Muitos caíram nessa e acharam que bastava registrar um blog hoje que o dinheiro começaria a entrar amanhã. Ledo engano. A única forma fácil de ganhar dinheiro é a Mega-Sena e mesmo assim as chances são bem remotas.

Alguns blogueiros começaram realmente a ganhar um bom dinheiro através do programa do ADSense, do Google. Com a explosão das redes e mídias sociais, outras formas de monetização surgiram, reforçando ainda mais a receita de quem trabalha com blogs. As agências de publicidade passaram a enxergar blogs muito populares como um excelente veículo de divulgação de produtos e marcas de seus clientes. Naturalmente isso alçou os blogueiros a um status mais elevado dentro da internet, alguns chegaram a ficar relativamente famosos e muitos recebem brindes, convites para eventos, etc. E como é lei no Brasil, qualquer um que fizer um mínimo de sucesso será imediatamente alçado a condição de vilão, pois aqui o que vale é o coitadismo. Se você não passou fome 20 anos, não tem uma história de superação bem triste pra contar, você passa a ser alvo da ira dos mal-sucedidos.

Na minha opinião, produzir conteúdo é criar algo novo. É você criar algo totalmente do zero, ou a partir de certos elementos, mas que passem uma idéia nova. Diante desse contexto, transformar algo que já existia numa outra coisa diferente, pode ser considerado produzir conteúdo, visto que o que está sendo feito é modificar uma idéia, adaptá-la, renová-la.

Existe outra forma de escrever em blogs e sites que eu chamo de repassar o conteúdo. É como uma fofoca on-line, onde um blogueiro encontra algo legal e simplesmente repassa para seus leitores. Isso não é produzir conteúdo, é replicar algo interessante que foi visto. Como por exemplo achar uma imagem interessante, escrever uma linha antes dela e publicar. Ou mesmo encontrar tirinhas ou piadas em sites estrangeiros, traduzi-los e disponibilizar no blog. Há blogs especializados em fazer isso, achar algo legal e repassar. Isso é errado? De forma alguma. É como você ouvir uma piada legal e sair contando pra todos no trabalho. Mas por algum motivo, blogueiros são cobrados pela santa inquisição da internet a respeito da fonte da piada, da origem daquele assunto.

Acontece que a Internet é uma terra de ninguém. Quando o conteúdo é produzido, o máximo que o criador pode fazer é tentar de todas as formas vincular seu nome à criação, mas a medida que o conteúdo é repassado, a fonte original se perde. Essa busca por cabeças cunhou um termo chamado "Kibar", que é postar conteúdo alheio sem citar o autor original. O termo Kibar surgiu fazendo alusão a Antônio Tabet, do blog KibeLoco, talvez o blog que mais sucesso fez/faz no Brasil.

Se observarmos bem, o KibeLoco também produz conteúdo. Até mais que muitos blogs que agridem o autor por postar algo que não é dele sem citar a fonte original. O problema é que cada um sabe de si e tem sua própria ética na hora de postar. Não existe um código formal de leis que ensinem a escrever ou postar em blogs. A questão aí é que a Internet vive de links e os autores vivem da divulgação do seu conteúdo. Os blogueiros são cobrados na Internet pelo "onde você viu". Mas quem cobra não diz de quem ouviu uma piada, cita frases e ditados sem dizer de quem são, etc. Na Internet isso ocorre como reflexo do que acontece no nosso dia-a-dia. Em muitos casos o blogueiro recebe uma foto por e-mail de um amigo, encontra um vídeo por acaso no Youtube, etc. Nem sempre ele "kibou" o conteúdo, ele simplesmente achou perdido. O correto seria sair vasculhando a Internet pra achar o autor original daquilo, mas se isso for feito pra publicar qualquer coisa, por um lado muitos posts deixarão de ser divulgados e as pessoas ficarão privadas daquele conteúdo, por outros é muitas vezes impossível encontrar o autor original nesse imenso mar que é a Internet.

O que eu quero dizer com tudo isso é que há blogs completamente autorais, onde o conteúdo produzido é todo do dono do blog, mesmo que ele tenha partido de idéias ou assuntos criados por terceiros, há blogs mistos, onde há posts autorais e repasse de conteúdo e há blogs que simplesmente repassam conteúdo dos outros (citando ou não a fonte). Cabe ao leitor identificar e decidir se ele quer ou não continuar lendo esse ou aquele blog. Cabe aos blogueiros decidir com quem eles querem se relacionar e firmar parcerias. Cabe às agências decidir se vale a pena colocar o seu nome e de seus clientes em jogo usando um blog A, B ou C como meio de divulgação.

O que não cabe é a mim, a você, ou a um bando de twitteiros desocupados decidir o que é ou não kibe. Porque eu já vi muito fulano por aí acusando um ou outro de roubar-lhe uma piada que já era contada fora da Internet uns 40 anos atrás. Mas que a "vítima" do kibe curiosamente esqueceu de citar na hora de acusar o roubo.

Ninguém produz conteúdo todo dia, o dia inteiro. É normal que conteúdos sejam repassados, replicados. Se fosse errado ou mesmo proibido, de que valeriam os livros de história, sendo eles registros do que já aconteceu mas que continua sendo repassado de geração pra geração? A questão é: como você quer ser lembrado ou reconhecido pelos que vierem depois? Suas ações, sejam elas dentro da Internet ou fora, irão mostrar.

6 Comentários:

André Luiz disse...

o problema do Kibeloco não é "kibar", é ser sem-graça mesmo.

Daniela Lopes disse...

Ai, ai ... trabalhar com chefe ou sem chefe, na empresa ou em casa ... uma coisa não tem diferença ... "Seus colegas de trabalho" ... você escreve alguma coisa e automaticamente vem o "colega" querendo corrigir a vírgula que postada erroneamente, blá, blá, blá ....

Sou a favor da liberdade de expressão, mas não acho que as pessoas deviam falar tudo o que vem a cabeça.

Vocês que trabalham com internet e textos e pessoas desocupadas serão santificadas ao final da vida, eu só acompanho como leitora e já me revolto.

Ouvir a piada na praça é nossa e contar no show do tom pode, mas o twitter é diferente né?? kkk

Parabéns pelo texto. Bom trabalho. Tem gente que gosta do que lê, escreva pra elas!! Abçs.

Say disse...

Ótimo texto! Adorei a parte "E como é lei no Brasil, qualquer um que fizer um mínimo de sucesso será imediatamente alçado a condição de vilão, pois aqui o que vale é o coitadismo. Se você não passou fome 20 anos, não tem uma história de superação bem triste pra contar, você passa a ser alvo da ira dos mal-sucedidos."

De fato, quando algo vai razoavelmente bem, há sempre aqueles que investem toda a sua energia no intuito de minimizar ou até mesmo acabar com o sucesso alheio. A internet é como um bolo e todo mundo quer a sua fatia, porém, os que não são capazes de conquistar seu próprio espaço, limitam-se a desestabilizar o máximo possível o sistema.

Aos legisladores de plantão, nosso sensacional desprezo.

Paulinas disse...

Goxxxtei. Vai levar deix paux.

Alice Galvão disse...

Engraçado, uma das funções estratégicas do blog e das demais redes sociais a meu ver é gerar fontes de tráfego complementares, para que a informação veiculada seja vista pelo maior número de pessoas possível, dentro de uma determinada segmentação. Para este objetivo, quanto mais reencaminhadas as informações, melhor. Neste caso, viva a kibada. RS. Mas é claro que cada caso é um caso, depende do que se pretende com o blog e aí sugiro uma outra discussão: Os diferentes objetivos do blog e a conduta adequada aos resultados.

Parabéns pelo texto. Um abraço!

Refletindo Moda disse...

é, cabe ao leitor decidir se quer ler uma informação de outro ou ler o traduzido do traduzido! =)

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