quarta-feira, 23 de março de 2011

Bullying: verdade ou mito?

Em uma palavra: verdade. A diferença é a forma como o bullying é visto e divulgado hoje em dia. Você que nasceu entre as décadas de 1970 e 1980 e hoje está aí com seus 25 a 35 anos vai entender bem o que eu estou falando.


Quem nessa faixa de idade não assistiu Chaves ou Carrossel? Todo mundo lembra e se emociona com os personagens, lembra os nomes, as histórias e recorda com saudosismo das novelinhas que marcaram nossa infância. Mas dentro do contexto do assunto: quem aí lembra do que o Quico fazia com o Chaves? "Eu tenho uma bola, e não te empresto". "Olha meu pirulito, que delícia!". Ou pior, se vocês tem a memória boa vão lembrar do que a Maria Joaquina fazia com o pobre do Cirilo, que era um clichê ambulante. Preto, pobre e meio burrinho.

A diferença da minha época para hoje é a forma como os pais educavam. Não havia internet, não havia youtube, não havia tanta exposição e liberdade das crianças. Eu cresci jogando futebol na rua, pião, bola de gude e soltando pipa. Tinha meu Atari mas tinha limite de horas de jogo e só podia jogar depois que fizesse a tarefa e tomasse banho. Caso fizesse coisa errada, não só ficava de castigo sem TV e sem Atari como levava umas chineladas pra deixar a bobagem fresquinha na memória.

Tive uma educação liberal em certos aspectos, mas bem antiquada no quesito punição. Levei surras de cinturão homéricas, chineladas, apanhei até com a fivela do cinto. Eu dei motivo? Não sei, uma criança raciocina de forma bem diferente de um adulto, portanto o que pode ser motivo pros meus pais me baterem talvez não tenha sido motivo pra mim. É certo ou errado bater nos filhos? Eu não sei, só vou saber como agir quando for pai, pois eu apanhei bastante e estou aqui são e salvo, sou uma pessoa honesta, que trabalha e que tenta ajudar os outros. Vejo muita gente por aí que não apanhou e teve condições muito melhores que as minhas e que são umas merdas de pessoas. Eu só tive carro e viajei pro exterior depois de velho, com meu próprio dinheiro. A maioria dos meus amigos foi pra Disney na década de 1980 e ganhou carro quando passou no vestibular.

As escolas tem parte dessa culpa, pois os alunos viraram clientes e podem fazer e acontecer nas salas de aula. Casos de agressão a professores não são mais notícia, de tão corriqueiros. Quando eu estava no ensino fundamental, ser expulso da sala, ir pra diretoria, ou pior ainda, ser suspenso, era motivo de pânico absoluto. Se isso ocorresse era chegar em casa e apanhar. Aprendi a controlar o bullying apanhando em casa. Quem viveu nessa época sabe: a lei era "se chegar chorando da escola apanha de novo pra chorar com motivo". Hoje? Crianças tem webcams, internet, celular e fazem o que querem. Se a escola pensar 2x em punir ou educar com mais rigidez, vai pro jornal, é processada e o pobrezinho do aluno vai ter que ir pro psicólogo por conta do professor malvado.

Bullying sempre existiu e sempre vai existir. A sorte é que hoje temos mais discernimento e mecanismos para divulgar e identificar. Não sei se é certo ou errado bater em crianças pra corrigir desvios de caráter. Talvez meus pais tenham tido sorte comigo e com meus irmãos. Mas eu sou a favor sim de punições mais severas. Já disse que meus filhos só usarão computadores/internet com minha supervisão e sem webcam. As crianças hoje em dia são criadas soltas demais e com muitas armas a mão pra fazer todo tipo de bobagem. O twitter tá aí e não me deixa mentir.

Correção anda de mãos dadas com punição. A intensidade dessa punição cabe a cada um decidir. Mas que está faltando rigidez dos pais e das escolas, isso não me resta dúvida. Tem que botar um pouco mais de pressão nessas crianças, que leem pouco, estudam pouco, agridem física e verbalmente como adultos mas são cobrados pela sociedade como se fossem bebês.

11 Comentários:

steffany oliveira disse...

Também tenho a mesmo opnião que a sua,estou com 25 anos e vejo como o tonto do meu irmão cria a minha sobrinha e lembro como ele me criava,as crianças de hoje em dia podem tudo,depois dizem que a minha geração não tem muita noção.

Daniela Lopes disse...

Olha, sou de 1981 e tenho q concordar com vc. Eu subia em árvores e meu hobby predileto era jogar na bola com os meninos na rua. Nunca sofri bullying por gostar de coisas masculinas como video-games, mas tenho certeza que se fosse nos dias de hoje ...

Apanhei muito, MUITO. Mas já agradeci inúmeras vezes a minha mãe por isso, pq tenho certeza q mesmo qdo era desnecessário, me ajudou a formar o meu cárater.

Sou tão contra a violência quanto ao bulliyng.
Mas eu digo, quando converso com os adolescentes de hoje, filhos de amigos, filhos de parentes, confesso que tenho medo do mundo q veremos em 20 anos. 20 anos se passaram da minha adolescência e mudou, daqui mais 20 anos, do jeito que andam as coisas, o simples ato de interagir com as pessoas será intolerável.

Stephanie Tôrres disse...

Eu vejo esta mudança de postura dentro da minha própria casa. Eu e meus irmãos fomos criados da forma como você disse e viramos gente de bem. Meu sobrinho que foi criado pela minha mãe desde que nasceu já foi criado como o meninos de hoje, sem limites, com muitas armas e facilidades para fazer coisa errada. Não foi por falta de apanhar, foi falta de outros tipos de limite, tipo prometer castigo e cumprir à risca. O contexto em que se cria uma criança também importa, mesmo que os pais sejam os mesmos.

Roger disse...

Embora eu tenha nascido uns 20 anos antes, foi igual. E concordo, tem que haver disciplina.

postman disse...

Olha, concordo que falta controle dos pais. E que punição deve existir (o mundo diz não, a gente tem que aprender a conviver com ele desde pequeno). Só que não pode ser sem explicar, pelo menos eu acho que não. Sempre soube o porque apanhei e, algumas das vezes, tive que escolher a punição da vez dentre um hall de punições... Eu controlo uns pirralhos da familia quando o controle depende de mim, mas ai vem "Nossa, como você é má´, é só uma criança!" E eu digo: "E por isso mesmo tem que saber que existem coisas que podem e que não podem ser feitas"

Leo Carvalho disse...

Eu passei pelas mesmas experiências que você, e digo que limites nunca fizeram mal a ninguém.

Minha filha com 3 anos já sabe bem os limites dela, e quando o castigo não funciona, as palmadas ainda continuam funcionando perfeitamente bem como uma lembrança ativa do erro.

Eu sou um dos que fala que esse problema hoje é porque merthiolate não dói mais, mas as pessoas sempre interpretam literalmente.
Quando eu uso essa expressão, é justamente dando esse sentido que os pais não dão mais limites aos filhos, dão e fazem tudo o que pedem e as regras estão cada vez mais frouxas.

Meus dois irmãos e todos os meus primos foram criados no mesmo sistema de corretivos e todos viraram pessoas "normais" por assim dizer. Nenhum revoltado, rebelde ou delinquente.

A única diferença na minha família são de alguns primos, filhos dos da minha geração, que estão crescendo com um limite mais relaxado e ganhando autoridade em casa. Às vezes maior que a dos pais.

Estou fazendo tudo para que a minha filha não se enquadre no seu último parágrafo, o que vem se mostrando eficaz. A punição é sim mais leve que as que eu recebi, mas não tem impunidade e nem "tadinha, mas é uma criança e não entende".
Se não entende tem que aprender, bolas. E se não aprende ouvindo, aprende no castigo.

Um exemplo do que essa molecada de hoje é:
Estava numa loja da Meggashop procurando um tênis, e tinha 3 irmãos (entre 13 e 16 anos, creio) brincando com as bolas de futebol expostas para venda. O vendedor por 3 vezes foi até eles e pediu que não jogassem com aquelas, que em uma área específica da loja (a 15 passos de distância) tinha as bolas para demonstração.
Mas não, a graça estava em infernizar a vida do cara.
Quando o vendedor falou com eles pela quarta vez, e eles novamente deram de ombro, eu me senti impelido a agir.
Como eu não tinha nada a perder, fui lá e deil-lhes um esporro, perguntando se o problema deles era burrice ou surdez, ou se eles simplesmente tinham tesão por levar esporro. E fiquei perguntando bem alto quem eram os pais daqueles imbecis que não viam o que estava acontecendo, ou bem provavelmente eram tão ou mais mal educados que os filhos.

Logo em seguida chega a madame, querendo me dar lição porque eu não tenho direito de corrigir os filhos dela, que isso era papel dela.

Só respondi: "minha senhora, se é assim que você está desempenhando o papel de educar esses três panacas, me desculpe mas está cumprindo seu papel muito mal e porcamente. Você deveria me agradecer por ter somente falado com eles porque um dia ou outro, por conta da atitude imbecil desses pentelhos, eles vão chegar em casa faltando dente ou com o olho roxo, e aí eu quero ver o que você vai fazer."

Ela me deu um olhar que eu entendi como um "vá pro inferno de cabeça pra baixo", catou os moleques e foi embora fula da vida porque metade da loja assistiu a cena e começaram a rolar os comentários.

Meu, é impossível ficar vendo essas idiotices e não sentir o sangue fervendo, principalmente quando se teve uma educação como a que tivemos.

Leticia disse...

Tenho 17 e admito que pertenço a essa geração criada com liberdade demais. quase nunca me impuseram horário pra alguma coisa (apesar de que se sou pega de madrugada no pc,levo um tremendo esporro) e ,se fico de castigo (é raro,sério), opções pra me tirar do tédio é o que não me falta: jogos e sériados no pc se proibirem a internet,tv a cabo se proibirem o pc, revistas ou celular se proibirem a tv,etc...

Não sou exemplar nem nada, mas não bebo,não fumo,não maltrato os mais velhos...mas acho que só sou assim pq faz parte do meu jeito de ser não gostar de irritar,maltratar,pertubar os outros pq nao gosto que façam isso comigo. E também pq minha mãe,que me criou sozinha, me mostrou muitas vezes que a vida não é fácil que nem nas novelas da globo ou nas séries americanas.

Conheço minha geração,e sei que não é sempre que sou tão diferente dos outros assim. Mas tenho muito amigo(a) que só estuda pra passar de ano e ganhar a viajem pra disney que os pais prometeram, e acho que esse não é o jeito certo de se criar alguem (não que eu nao fosse aceitar a viajem pra disney,rs)

Tirza disse...

Falou e disse! Concordo plenamente!
Falta limite pra essa criançada de hoje, dá raiva dos pais que deixam fazer tudo.

Aliás, recebi um email hoje que fala disso, vou te encaminhar.

Esterpherson disse...

Meus pais agiam exatamente dessa forma, dura, severa, se eu fizesse alguma merda (e eu fiz muitas).

Mas eles também me ensinaram como me defender dos valentões da escola, sempre disseram que eu nunca deveria deixar que me prococassem, era pra dar porrada mesmo!

Quando eu enchia algum moleque de porrada na escola, meus pais ficavam preocupados, lógico. Mas sempre iam lá pra me defender pois a escola tava louca pra me punir.

Até os 11 anos foi assim, na 5ª série mudei de escola e tudo foi mais tranquilo. Meus pais me ensinaram a ter equilíbrio emocional e eu nem percebia.

Iury BAS disse...

Eu tenho 17 anos. Nunca apanhei (na verdade, já sim, mas poucas e raras vezes). Em fato, por ser muito quieto, não saia de casa, preferia ficar assistindo, sempre fui focado na escola, chegava a ficar doente em dias de testes por preocupação em estudar e, consequentemente, raramente tirava uma nota baixa. Hoje, sei escrever melhor do que 80% dos outros que tem a minha idade, sei de assuntos que não ensinam nas escolas, tenho médias acima das da minha classe. Pesquiso e aprendo sozinho assuntos da escola ou de fora dela. Minha mãe me acha mais responsável que meu irmão de 21 anos. E, sinceramente, acho que se eu tivesse apanhado, teria sido do mesmo jeito que sou hoje. Não estaria louco, depressivo, fracassando em minha vida como psicólogos e afins gostam de pregar.

O problema de hoje é justamente este: A super proteção. Esse coitadismo que é criado para proteger crianças. É como um pai não deixar uma criança brincar na areia para ela não pegar micose. Enquanto ele acha que esta protegendo ela, esta justamente fazendo o contrario. Se ela brincasse na areia, iria pegar micose, seu corpo iria produzir anticorpos para defende-la, iria matar a micose, e depois de tudo estaria mais forte. O corpo teria uma espécie de base da dados sobre aquela doença que ficaria ali, arquivada por toda sua vida. Mas, como o pai protetor não deixou ela brincar, o seu corpo irá crescer sem aquela informação, irá entrar na idade onde para de produzir e estocar informações de doenças e, finalmente, no dia que aquele adulto pegar aquela micose, ela não terá uma base de dados em seu corpo já preparada para lidar com ela. Ao final de tudo, a super proteção que o pai deu ao filho fez ele ficar mais fraco no futuro. E é exatamente isso que acontece.

Criam crianças em uma bolha que não existe. Em um mundo sem problemas, onde elas podem fazer tudo e terão sempre algo para protege-las. Não deixam elas se arriscarem, não deixam elas explorarem, não deixam elas sentirem dores, levarem quedas, perderem, ouvirem um não, uma xinga, uma repressão. Até o dia que elas crescem, virão adultas, e dão de cara com um murro alto, grosso e forte chamado realidade. Já não terão mais aquela proteção, irão enfrentar o chefe sem piedade, irão ter que se virar. Como nunca tiveram de fazer isso, nunca tiveram de enfrentar nada, serão fracassados, lixos humanos, pessoas medíocres e perdedoras. Serão depressivas, fracas. E, enquanto elas estarão no psicólogo resolvendo seus problemas mentais, aqueles que caíram, ralaram o joelho e choraram, pegaram micose, ouviram um não, estarão vencendo, provavelmente sendo os Chefes, mandando, dominando.

Como tudo que existe, o Bullying tem seu lado bom e seu lado ruim. É o que pode ser chamado, às vezes, de mal necessário. Muitas vezes, aquela criança que sofreu Bullying irá crescer com um desejo de provar que todos os outros estavam errados, e será melhor que aqueles que mangaram dela. Vide muitos dos maiores empresários hoje terem sido chacotados na escola no passado.

Crianças que sofrem Bullying não precisam de psicólogos, não precisam de super proteção. Precisam apenas de pais que ensine a elas que a vida é assim! De pais que ensine a elas que elas precisam passar por isso e vencer! Que elas precisam tornar-se os melhores, para que um dia possam olhar na cara daqueles que as humilharam e possam dizer: Eu sou seu Chefe!

Reinanxd disse...

Tenho 13 anos, ainda faço atos errados de vez em quando quando, pois, errar é umano, mas, se não batessem em mim quando era menor, eu realmente DUVIDO que iria ter a educação e minha personalidade de hoje. Concordo plenamente!

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