Não é dever do Estado decidir quem devemos amar.
O casamento, seja ele oficial e de papel passado, ou meramente uma união estável de duas pessoas que se gostam é antes de tudo uma celebração à união. Duas pessoas decidem que se amam o suficiente para dividirem o mesmo teto, o mesmo quarto, a mesma cama. E resolvem abrir mão de uma série de coisas que a vida solitária proporciona em troca de tantas outras que a vida a dois permite. Vejamos como o Dicionário Houaiss explica o verbete "Casamento":
3 Derivação: por extensão de sentido.
qualquer relação comparável à de marido e mulher
4 Derivação: por extensão de sentido.
o ritual que confere o status de casado, esp. a cerimônia de casamento e suas festividades
5 Derivação: sentido figurado.
associação, aliança
Ex.: o c. político de dois partidos
6 Derivação: sentido figurado.
combinação harmoniosa de duas ou mais coisas; união estreita e íntima
Perceberam? Essa união a qual o dicionário se refere é uma união de DUAS PESSOAS. Sejam elas homens ou mulheres. O essencial dentro da relação é o carinho, o respeito e o desejo de se doar para a outra parte por completo. É assim que uma relação duradoura funciona, seja ela um casamento ou não.
O problema consiste no fato de que a justiça tomou para si a utilização da palavra casamento e decidiu que homens só podem casar-se com mulheres e vice-versa. Eu discordo. Não acho que seja um dever, obrigação ou direito do Estado decidir quem as pessoas vão amar.
A Argentina deu um passo importante nesse sentido aprovando a união entre pessoas do mesmo sexo. Logo eles, os tais arrogantes tão achincalhados por nós. Enquanto isso o Brasil comemora o "Dia Do Homem" no Twitter. Até quando?
Se eu fosse argentino daria o seguinte conselho aos brasileiros: se você é gay, já que o casamento é proibido, não se case com a pessoa que você ama. Apenas ame-a, debaixo do mesmo teto, dentro do mesmo quarto, em cima da mesma cama. Deixe que o Estado comemore e celebre o casamento e a união do Preconceito com a Hipocrisia.
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