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  • sexta-feira, 13 de maio de 2011

    Joga pedra no Gentili.

    O Danilo Gentili é conhecido por fazer piadas "sem noção". Como falei outro dia, piada ruim é aquela que é feita comigo. Quando é feita com os outros é boa. Raros são os casos em que uma piada feita com os outros ofende alguém que não está no contexto. E se você procurar bem fundo vai ver que tem alguma relação entre o ofendido e a piada. Tipo um magrelo que tem um pai gordo.


    Com todo esse bafafá sobre o Metrô em Higienópolis, bairro de SP onde vive gente abastada (ou abestada?) Gentili fez uma piada associando metrô, trem, judeus (que são muitos no bairro) e auschwitz (o 'famoso' campo de concentração alemão usado na 2a guerra). Muitos disseram que o timming foi péssimo. A esses eu pergunto: ele deveria esperar seis meses pra fazer a piada? Esse é o assunto do momento!

    Muitos dos indignados passam o dia no twitter dando RT em perfis como @tiposdebicha, @tiposdebiscate, @tiposdegordo ou mesmo fazendo piadas 'hilárias' sobre a morte de José Alencar ou da Lacraia. Volto a repetir: não é questão de ter graça ou não, é questão de bom senso. Você sabe até onde pode ir, o tamanho da bomba que aguenta e se as pessoas que estão a sua volta vão gostar ou não. Gentili é seguido por 1 milhão e meio de pessoas. Com certeza entre os seus seguidores tem albino, gay, negro, pardo, gordo, loira, judeu, crente, argentino, caolho, manco, cego, paraplégico ou QUALQUER OUTRO TIPO DE PESSOA, minoria ou não, que possa vir a se ofender com alguma piada. Imaginem se pra cada piada que ele fosse contar fizesse uma enquete perguntando se alguém se ofenderia. Sabe quantas piadas ele ia contar?

    Muitos disseram que a piada foi ruim, e que esse é o problema. NÃO É. Ninguém pode ser punido ou preso por ser incompetente. Até pode no trabalho, mas se os patrões dele achassem que ele não tem graça ou é incompetente já o teriam demitido há tempos. Se a piada fosse boa passaria batida? E quem define o que é uma boa piada? Esse conceito é INTANGÍVEL. Cada um ri de uma coisa diferente. Crucificar o Gentili por ter feito uma piada só porque ela é ruim é uma babaquice colossal, além de hipocrisia titânica.

    O grande erro do Gentili foi apagar a piada e pedir desculpas. Se fosse pra fazer isso não deveria ter contado a piada pra começo de conversa. A não ser que os patrões dele não tenham achado graça.

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    quarta-feira, 27 de abril de 2011

    A piada está morta. Ou quase.

    A piada está com os dias contados. É verdade, pode acreditar. De uns tempos pra cá o monstro do Politicamente Correto invadiu as casas, as TVs, as mesas de bar e a mente das pessoas. Já não se pode chamar um amigo de anos de negão, ou reclamar da vizinha chata como branquela azeda.


    Já se foi o tempo onde você podia chamar o seu amigo gordinho de rolha de poço ou bola 7 sem ser acusado de bullying. Hoje em dia todo mundo se ofende se você fizer piadas com fome, morte, doenças, minorias étnicas, opção sexual, etc. Aliás, na verdade até pode, porque maior do que o monstro do politicamente correto é o demônio da hipocrisia.

    Fazer piadas é permitido até o momento em que você é a vítima da piada. A vida do humorista é ingrata, como a do goleiro. O humorista é o arqueiro do riso. O espectador vai rir com ele até a morte, desde que ele nunca falhe. Mas ele vai falhar, afinal qualquer ser humano está sujeito a isso. E no dia que ele falhar e contar aquela piada sem graça (ao menos pra determinado grupo), os juízes da gargalhada estarão de prontidão com tochas e facões.

    Isso nos leva a um dilema: existe limite pra piada, ou é tudo ou nada? Devemos mesmo rir de tudo ou certos assuntos devem ficar de fora das brincadeiras?

    Eu acredito que dá pra encontrar graça em tudo. Tudo pode ser levado na piada e de maneira mais leve. Humor em excesso não faz mal algum. O que faz mal mesmo é a ausência de bom senso. Se você ri de uma piada sobre negros mas se ofende quando fazem uma piada sobre gordos, está lhe faltando bom senso e sobrando cara-de-pau.

    O fato é que ninguém é obrigado a rir de si mesmo ou achar graça em tudo, longe disso. Mas como a vida nos ensina, pau que bate em Chico, bate em Francisco. E você vai ser os dois. Qual deles? Seu humor e seu bom senso irão te dizer.

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    terça-feira, 24 de agosto de 2010

    Viva a Ditadura do Cool

    Eu gostaria de saber quando foi que estabeleceu-se uma Lei na Internet de que as coisas tem prazo de validade. Estava conversando com a @biagranja no Twitter e chegamos a uma conclusão comum de que na web tudo se torna "old" rápido demais. Não é nenhuma conclusão brilhante ou digna de Nobel, mas ainda assim é algo que passa despercebido pelas pessoas.

    Principalmente no Twitter, certos comportamentos foram institucionalizados, principalmente por esta rede social refletir nosso comportamento real. Até numa rede virtual que só permite mensagens de 140 caracteres, andamos em tribos. A tribo dos probloggers, a tribo dos trolls, a tribo cersibom, a tribo dos hipsters, a tribo dos especialistas em mídias sociais... E há a tribo dos normais, que não são probloggers, não são trolls, não adotam o cersibom, não são hipsters e não entendem churros de mídia social (leia-se, eu).

    É lei na Internet rir de uma piada se ela for contada por você ou por alguém da sua tribo. Se alguém de fora fala algo engraçado ou interessante antes de você ou de qualquer um dos seus parceiros, automaticamente a idéia em questão passa a ser babaca, ultrapassada, sem graça, digna de pena. Este texto BRILHANTE do @jorgecdlj fala de uma forma irretocável da Ditadura do Cool. As pessoas não querem mais parecer lindas, ter corpos sarados e serem desejadas. Elas querem ser gente fina, elegante e sincera. Mesmo que pra isso precisem agir como zé manés.

    Ainda conversando com a @biagranja, notamos que o Twitter é diferente da vida real no que diz respeito a uma simples piada. Tudo lá deve ser cabecista, analisado e tarifado. Na rua, uma piada tem o simples objetivo de fazer rir, de entreter, mesmo que seja aquela da Vovó com Alzheimer. Ninguém quer saber a fonte dela e nem exige que você comece a piada com "RT @ColegadeTrabalho então, sabe o papagaio...". Mas nas interwebs você é constantemente cobrado por cães raivosos sobre tudo o que você ousa falar. Nas interwebs você deve ser legal, engraçado e atencioso o tempo todo. Nas interwebs você não pode se divertir, você deve divertir os outros. Se todos são proibidos de se divertir para divertir os outros, ninguém se diverte. O argumento mais restritivo vence.

    Voltando a questão do "old', antes de bradar aos quatro ventos que "tal piada é old" ou "isso é tão 1783" (muitas vezes o crítico em questão nem era nascido nessa tal data), lembre-se que você não detém nem é dono de todo o conhecimento humano. Que num universo de milhões de pessoas é pouco provável que todos já conheçam uma piada inocente (a não ser que seja a do "Misturei Activia com..."). E que nem sempre o que é parece ser old o é de fato. Pensando dessa forma não haveria sentido em estudar História ou a evolução das espécies. Isso é old pra caralho, já tem lá uns 15 bilhões de anos, poxa.

    Em alguns casos uma piada é só uma piada. Seja ela boa ou ruim. E eu quero só ter o meu direito de contá-la sem ser aporrinhado, sem ter que fazer parte de alguma tribo por conta disso. Ninguém é obrigado a aceitar "estranhos" em sua turma. Mas esse comportamento anti-semita de que só se ri do que é da trupe ou qualquer um que não faça parte da minha patota vira incompetente, chato, babaca ou cuzão só faz quem o adota se privar de umas boas risadas.

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