A piada está com os dias contados. É verdade, pode acreditar. De uns tempos pra cá o monstro do Politicamente Correto invadiu as casas, as TVs, as mesas de bar e a mente das pessoas. Já não se pode chamar um amigo de anos de negão, ou reclamar da vizinha chata como branquela azeda.
Já se foi o tempo onde você podia chamar o seu amigo gordinho de rolha de poço ou bola 7 sem ser acusado de bullying. Hoje em dia todo mundo se ofende se você fizer piadas com fome, morte, doenças, minorias étnicas, opção sexual, etc. Aliás, na verdade até pode, porque maior do que o monstro do politicamente correto é o demônio da hipocrisia.
Fazer piadas é permitido até o momento em que você é a vítima da piada. A vida do humorista é ingrata, como a do goleiro. O humorista é o arqueiro do riso. O espectador vai rir com ele até a morte, desde que ele nunca falhe. Mas ele vai falhar, afinal qualquer ser humano está sujeito a isso. E no dia que ele falhar e contar aquela piada sem graça (ao menos pra determinado grupo), os juízes da gargalhada estarão de prontidão com tochas e facões.
Isso nos leva a um dilema: existe limite pra piada, ou é tudo ou nada? Devemos mesmo rir de tudo ou certos assuntos devem ficar de fora das brincadeiras?
Eu acredito que dá pra encontrar graça em tudo. Tudo pode ser levado na piada e de maneira mais leve. Humor em excesso não faz mal algum. O que faz mal mesmo é a ausência de bom senso. Se você ri de uma piada sobre negros mas se ofende quando fazem uma piada sobre gordos, está lhe faltando bom senso e sobrando cara-de-pau.
O fato é que ninguém é obrigado a rir de si mesmo ou achar graça em tudo, longe disso. Mas como a vida nos ensina, pau que bate em Chico, bate em Francisco. E você vai ser os dois. Qual deles? Seu humor e seu bom senso irão te dizer.
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