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  • quarta-feira, 11 de maio de 2011

    Sobre a Falsa Dicotomia

    Falsa Dicotomia, do latim "não tenho argumentos, por isso uso falácias". Um esporte muito praticado pelas pessoas nas redes sociais e em discussões infrutíferas das mais diversas, seja no Twitter, Facebook, no falecido mIRC ou em grupos de discussão. A necessidade por ter razão e provar que a outra parte da discussão está errada é maior do que o cerne da questão ou mesmo que a qualidade do argumento. Não importa o quão escatológica seja sua verborragia, contanto que no final você vença.

    Vale a pena? Eu, particularmente, acho que não. Me sinto esgotado intelectualmente quando tenho que participar de uma discussão qualquer e escuto pérolas como "mas isso é a SUA opinião", como se eu tivesse moral pra falar pela Presidente, por exemplo. Uma dica: se sou EU quem estou falando, isso reflete a MINHA opinião. Mesmo que ela tenha vindo emprestada de alguém ou roubada na cara de pau mesmo. Prêmio Tautólogo do Ano pra você.

    Na época das eleições era lindo fazer críticas ao PT e ouvir pérolas como "Tucano de merda" ou "Baba ovo do Serra". A idolatria cega as pessoas e fez com que esses arautos da política esquecessem completamente que havia diversos outros candidatos. Essa é a falsa dicotomia, se você critica o PT, NECESSARIAMENTE você é PSDB e vice-versa, não pensem que os eleitores dos outros partidos são diferentes, pois não são.

    Também há aqueles que já começam "argumentando" com brilhantismos e exemplos de erudição como "babaca de merda", "foda-se seu lixo" ou coisas parecidas pra depois dizer que você está errado. O inicio da sua argumentação reflete exatamente o que você vê no espelho.

    Isso sem falar dos Doutores em dialética, oratória e tudo o mais, que esperam você emitir opinião sobre qualquer assunto e, se me permitem, de forma sublime não pensam duas vezes em dizer "você não pode generalizar". Você está falando sobre o povo brasileiro, então na mente energúmena daquele sujeito você deve especificar CADA brasileiro existente pra não cometer injustiças. Esses são os mesmos que dizem "seu cuzão de merda, quem é você pra julgar alguém?". A necessidade de ofender é tão grande que fico pudibundo com a incapacidade da criatura em perceber que ele começou toda sua explanação fazendo um julgamento ofensivo e precipitado.

    Por isso eu digo: discutir na Internet é inútil, mes amis. Aproveitem o seu tempo on-line de outra forma.

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    quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

    Calma, era brinks, você não entende ironia?

    A Internet é uma casa muito engraçada, sem teto, sem nada, mas todo mundo pode entrar. Gente idiota sempre houve e sempre haverá em todos os cantos, em quantidades muito acima do que recomendam as doses homeopáticas. Está mais próximo da overdose mesmo.


    O termo troll já é bem conhecido de quem passa algumas horas por dia na Internet. Basicamente pode ser traduzido como escória, apesar de não ser bem assim. Os trolls sempre foram chatos, mas a coisa degringolou.

    A questão é que os "causadores" da Internet possuem um conjunto de regras próprio. Eles criam um mundo onde eles são os presidentes e você deve se adaptar as leis deles. Caso você não ande na linha, ou seja, caso você não os adule, não ache tudo o que eles falam/fazem genial ou não entrem em suas brincadeiras, automaticamente você é uma pessoa que se leva a sério demais.

    Eu não sei quando ficou definido que a Internet é um playground de imberbes. Por isso não entendo como é que virou lei esse lance de não poder levar a Internet a sério. Imagine se Mark Zuckerberg não levasse a Internet a sério? Ou se não se levasse a sério? Vá dizer ao Bill Gates ou ao Steve Jobs pra não levar a Internet a sério, ou como os chatos gostam de dizer "SERIOUS BUSINESS". "Ah, mas eles são bilionários, você é um Zé Ninguém". Opa, certíssimo, mas isso é mais um motivo pra eu levar algo que me rende uns caraminguás a sério, não acha? Afinal, se meu dinheiro não está sobrando eu não posso desprezar nenhuma fonte de renda.

    Os chatos reclamam que agora é moda chamar de troll qualquer um que discorde de você. Eu passei a chamar de troll qualquer um que discorde de mim no dia em que quem discorda de mim passou a chamar de "discordar" o ato de xingar ou ofender gratuitamente. Os chatos acham que podem zonear a parada toda e fica tudo por isso mesmo. Imagine você chegar no meio de uma cirurgia e ficar zoando o médico? Que tal esconder o bisturi ou injetar a anestesia na enfermeira? "Não dá pra comparar o trabalho de um médico com quem trabalha com Internet". Puxa vida, além de chato o sujeito é preconceituoso.

    Então funciona assim: os chatos criam as próprias leis, você não as segue e é punido por eles mesmos. Assim até eu queria. O fato é: passarinho que não dorme de cabeça pra baixo, não anda com morcego. No dia que um mais esquentadinho chegar no seu emprego "só de zua" e de "brinks", você não vai ter o block à sua disposição.

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    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

    A dura vida de ganhar uns caraminguás blogando

    Ler esse competente texto do meu amigo Pablo Peixoto me fez refletir. Brasileiros são apaixonados pela Internet. Somos um dos povos que mais tempo passa on-line, principalmente em jogos ou em redes sociais. Demorou, mas as pessoas perceberam que através dessas ferramentas, podem atingir um determinado nível de status, de sucesso ou mesmo ganhar dinheiro.


    Com a popularização dos blogs profissionais ficou parecendo que é fácil ganhar dinheiro com blogs. Muitos caíram nessa e acharam que bastava registrar um blog hoje que o dinheiro começaria a entrar amanhã. Ledo engano. A única forma fácil de ganhar dinheiro é a Mega-Sena e mesmo assim as chances são bem remotas.

    Alguns blogueiros começaram realmente a ganhar um bom dinheiro através do programa do ADSense, do Google. Com a explosão das redes e mídias sociais, outras formas de monetização surgiram, reforçando ainda mais a receita de quem trabalha com blogs. As agências de publicidade passaram a enxergar blogs muito populares como um excelente veículo de divulgação de produtos e marcas de seus clientes. Naturalmente isso alçou os blogueiros a um status mais elevado dentro da internet, alguns chegaram a ficar relativamente famosos e muitos recebem brindes, convites para eventos, etc. E como é lei no Brasil, qualquer um que fizer um mínimo de sucesso será imediatamente alçado a condição de vilão, pois aqui o que vale é o coitadismo. Se você não passou fome 20 anos, não tem uma história de superação bem triste pra contar, você passa a ser alvo da ira dos mal-sucedidos.

    Na minha opinião, produzir conteúdo é criar algo novo. É você criar algo totalmente do zero, ou a partir de certos elementos, mas que passem uma idéia nova. Diante desse contexto, transformar algo que já existia numa outra coisa diferente, pode ser considerado produzir conteúdo, visto que o que está sendo feito é modificar uma idéia, adaptá-la, renová-la.

    Existe outra forma de escrever em blogs e sites que eu chamo de repassar o conteúdo. É como uma fofoca on-line, onde um blogueiro encontra algo legal e simplesmente repassa para seus leitores. Isso não é produzir conteúdo, é replicar algo interessante que foi visto. Como por exemplo achar uma imagem interessante, escrever uma linha antes dela e publicar. Ou mesmo encontrar tirinhas ou piadas em sites estrangeiros, traduzi-los e disponibilizar no blog. Há blogs especializados em fazer isso, achar algo legal e repassar. Isso é errado? De forma alguma. É como você ouvir uma piada legal e sair contando pra todos no trabalho. Mas por algum motivo, blogueiros são cobrados pela santa inquisição da internet a respeito da fonte da piada, da origem daquele assunto.

    Acontece que a Internet é uma terra de ninguém. Quando o conteúdo é produzido, o máximo que o criador pode fazer é tentar de todas as formas vincular seu nome à criação, mas a medida que o conteúdo é repassado, a fonte original se perde. Essa busca por cabeças cunhou um termo chamado "Kibar", que é postar conteúdo alheio sem citar o autor original. O termo Kibar surgiu fazendo alusão a Antônio Tabet, do blog KibeLoco, talvez o blog que mais sucesso fez/faz no Brasil.

    Se observarmos bem, o KibeLoco também produz conteúdo. Até mais que muitos blogs que agridem o autor por postar algo que não é dele sem citar a fonte original. O problema é que cada um sabe de si e tem sua própria ética na hora de postar. Não existe um código formal de leis que ensinem a escrever ou postar em blogs. A questão aí é que a Internet vive de links e os autores vivem da divulgação do seu conteúdo. Os blogueiros são cobrados na Internet pelo "onde você viu". Mas quem cobra não diz de quem ouviu uma piada, cita frases e ditados sem dizer de quem são, etc. Na Internet isso ocorre como reflexo do que acontece no nosso dia-a-dia. Em muitos casos o blogueiro recebe uma foto por e-mail de um amigo, encontra um vídeo por acaso no Youtube, etc. Nem sempre ele "kibou" o conteúdo, ele simplesmente achou perdido. O correto seria sair vasculhando a Internet pra achar o autor original daquilo, mas se isso for feito pra publicar qualquer coisa, por um lado muitos posts deixarão de ser divulgados e as pessoas ficarão privadas daquele conteúdo, por outros é muitas vezes impossível encontrar o autor original nesse imenso mar que é a Internet.

    O que eu quero dizer com tudo isso é que há blogs completamente autorais, onde o conteúdo produzido é todo do dono do blog, mesmo que ele tenha partido de idéias ou assuntos criados por terceiros, há blogs mistos, onde há posts autorais e repasse de conteúdo e há blogs que simplesmente repassam conteúdo dos outros (citando ou não a fonte). Cabe ao leitor identificar e decidir se ele quer ou não continuar lendo esse ou aquele blog. Cabe aos blogueiros decidir com quem eles querem se relacionar e firmar parcerias. Cabe às agências decidir se vale a pena colocar o seu nome e de seus clientes em jogo usando um blog A, B ou C como meio de divulgação.

    O que não cabe é a mim, a você, ou a um bando de twitteiros desocupados decidir o que é ou não kibe. Porque eu já vi muito fulano por aí acusando um ou outro de roubar-lhe uma piada que já era contada fora da Internet uns 40 anos atrás. Mas que a "vítima" do kibe curiosamente esqueceu de citar na hora de acusar o roubo.

    Ninguém produz conteúdo todo dia, o dia inteiro. É normal que conteúdos sejam repassados, replicados. Se fosse errado ou mesmo proibido, de que valeriam os livros de história, sendo eles registros do que já aconteceu mas que continua sendo repassado de geração pra geração? A questão é: como você quer ser lembrado ou reconhecido pelos que vierem depois? Suas ações, sejam elas dentro da Internet ou fora, irão mostrar.

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    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

    A Internet está com azia.

    Houve um tempo em que as pessoas eram reconhecidas por suas qualidades. Qualidades que iam das mais simples às mais extraordinárias, mas ainda assim qualidades. Características das pessoas que serviam para fazer o bem a si mesmas ou a outrem.


    Mas aí veio a Internet e posteriormente as Redes Sociais. A forma como as pessoas se relacionam mudou de forma dramática. Para o bem, aproximando pessoas que moram longe. E para o mal, distanciando pessoas que moram perto. Existe uma relação clara de inversão nos relacionamentos por conta da Internet. A informação está à disposição num clique. E no plano cartesiano dos relacionamentos, quanto mais próxima estiver a pessoa, mais distantes elas estarão. O ponteiro corre com o mesmo frenesi no sentido inverso. Quanto mais longe as pessoas estiverem, pela Internet mais próximas elas irão sentir-se.

    Essa mudança na forma de se relacionar transformou as pessoas em anagramas de si mesmos. Ninguém é um só, não há nada mais que defina aquela pessoa. Não há uma molécula formada, agora todos somos um monte de átomos espalhados. Essa ânsia por ser alguém, ou não ser ninguém, faz com que as pessoas externem uma pequena fração do que elas são de verdade. A única informação verdadeira é o próprio CPF. O resto, um baile de máscaras.

    Eu não sei quando foi que isso começou de fato, nem nunca entendi de verdade em que momento se descrever como bipolar passou a ser algo digno de nota. Ou mesmo fazer parte do Clube do TOC. Pessoas que alegam ter algum tipo de transtorno e demonstram um bizarro orgulho de serem deficientes mentalmente.

    Outras 'qualidades', como ser ácido, cínico, sarcástico e irônico também são vistas com bons olhos hoje em dia. Na verdade todas são variações da mesma falácia. O sujeito tem a audácia de se auto-definir como uma pessoa 'ácida'. Me pergunto se ele consegue derreter metais se encostar nestes. Ou se ele é tão ácido, ou mesmo sarcástico com o patrão que paga o seu salário. Já pensaram como ia ser jóia? O chefe do cidadão dá uma dura nele, e ele solta uma piadinha cheia de malícia e ao ser indagado pelo chefe, responde com um "Calma, chefia! Eu estava sendo sarcástico, você não entende ironia?".

    Ninguém mais se interessa em se auto-definir como simpático, gente fina, sangue bom, de boa, tranquilaço. Todo mundo tem que demonstrar um certo nível de sociopatia (os mais alertas saberão perceber que trata-se apenas de confete).

    Vou te contar: essa sociedade que idolatra e solta fogos de artifício para defeitos e desvios de caráter e personalidade não é pra mim. Ter um pouco de sarcasmo dentro de si, saber usar a ironia quando necessário, tudo isso é válido e faz parte do comportamento humano. Mas forçar a barra pra ser assim o tempo todo é chato pra chuchu.

    Me acordem quando as coisas voltarem ao normal. Por enquanto, me livro de tanta acidez com um pouquinho de sal-de-frutas.

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    quarta-feira, 4 de agosto de 2010

    E aí? Vamos trollar juntos?

    O conceito de sucesso é bastante relativo. Depende apenas de quais são suas expectativas. Se você as atinge, você tem sucesso naquilo que se propôs a fazer. Mas se você der de cara com alguém com expectativas maiores (sobre você ou sobre si próprio), você poderá ser considerado um fracasso. Não estranhe, é normal e faz parte do jogo.

    Gostar ou não gostar de algo ou de alguém é muito particular, de certa maneira inexplicável. Não dá pra teorizar sobre os motivos que levam fulano a gostar de maçã e detestar pera. O mesmo funciona com pessoas. Tem a primeira impressão, que dizem, fica mesmo. Tem os gostos pessoais, ideologias, estilo de vida, até o tal do 6° sentido. Tudo isso contribui a favor ou contra para se gostar de algo ou de alguém.

    A tal da trollagem que tanto se fala é basicamente alguém manifestando seu desgosto com alguma coisa ou alguma pessoa. Pode ser uma modinha, uma idéia, uma web-celebridade. Aliás, o conceito de web-celebridade é interessante. No meu entendimento celebridade é quem faz sucesso na Web e fora dela, quem é reconhecido na rua, etc. Acredito nas web-celebridades tanto quanto acredito na existência do Acre. Mas, voltando, trollar nada mais é do que um termo recente no Brasil (nem tão recente lá fora) que mal começou a ser usado e já está ultrapassado. Trollar é desapego, desinteresse em forma de manifestação. É o não gostar na sua forma mais natural.

    Considerando essa premissa simples, desde que o mundo é mundo existem trolls. O homem briga e se desentende desde a Era do Fogo. Se você odeia algo ou alguma coisa, você é um troll, isso é inevitável. Quem nunca manifestou de forma agressiva uma revolta, uma raiva, o desprezo por qualquer motivo que seja?

    "Mas os trolls fazem baderna, perseguem, difamam, exageram". Então vamos lá. Você conhece humor negro? Já fez piada com negros, judeus, gaúchos, nordestinos? Já tirou uma casquinha dos portugueses dada sua fama de burros? Ou fez uma piada muito engraçada sobre argentinos? Humor negro. Humor afrodescendente. Trollagem. É uma "agressão" pura e simples, motivada por motivo nenhum, com o simples objetivo de rir de outrem, por mais que a motivação não traga nenhum benefício pessoal direto.

    A diferença é que na Internet, os fins sempre tendem a justificar os meios. As motivações são diferentes, a forma como as pessoas se expressam é diferente, os alvos variam, o nível de agressividade também. Mas no fundo no fundo, todo mundo quer a mesma coisa: um pouquinho de atenção e sucesso. É impossível controlar o quanto dessa atenção chegará até cada um. Julgar o sucesso também é um critério bastante pessoal.

    O fato é, perder tempo querendo entender tudo isso é desnecessário, inútil. Quem sai na chuva é pra se molhar. Se pararmos pra pensar, todo mundo pode ser um pouco mais trollerante.

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