Beatles é coisa de babaca.
É impressionante, pra não dizer frustrante, a forma como é fácil de certa forma manipular a mente das pessoas, principalmente usuários de Internet que adoram ler o título do post e ir correndo para os comentários xingar muito.
A vontade de ter razão é gigantesca, mas não supera a vontade de provar que o outro está errado. Mais ou menos assim: não importa o fato de eu não saber a grafia correta da palavra, mas não é desse jeito aí que você escreveu, tá ligado?
Dito isso, hoje resolvi fazer um simples exercício. Todos sabem no Twitter, ao menos quem me segue há algum tempo que eu não gosto de Beatles. Mas eu não ODEIO os Beatles, entenda. Eu só não gosto, como você não gosta, sei lá, de quiabo. Não tenho nada contra quem goste. E até reconheço o imenso valor histórico que a banda tem em todo o contexto musical.
O experimento consistia em dizer frases simples, porém com duplo sentido, mas que de forma literal estão absolutamente corretas, pra ver o quão ávidas as pessoas ficariam por me xingar antes mesmo de tentar interpretar o que estava escrito. As frases foram:
- Os Beatles não serviriam para roadies do The Killers;
- Eu não pagaria 10 estalecas num CD dos Beatles;
- Só compra CD dos Beatles quem tem dinheiro sobrando.
Esqueça que você é fã do Rest... digo, Beatles por um momento e analise as frases de forma literal:
1) Beatles não serviriam pra roadies do The Killers porque eles são músicos, não são roadies. Eles não saberiam fazer o trabalho de roadies nem teriam físico pra isso, já que eram bem franzinos. Portanto, eles não serviriam pro trabalho, porque... não são roadies;
2) Eu não pagaria 10 estalecas num CD dos Beatles. Você conhece algume stabelecimento que receba estalecas como pagamento com exceção do Big Brother?
3) Só compra CD dos Beatles quem tem dinheiro sobrando. Mas é claro, como é possível comprar um CD sem ter dinheiro/crédito? Lojas não ligam pra matemática, se você chegar com uma cédula de -27 reais você levará no máximo um cascudo.
E como era esperado choveram comentários do tipo "vou te dar unfollow, seu imbecil" ou "você tem um gosto musical nojento" (o sujeito nem sabe do que eu gosto e falou isso) ou "seu babaca".
No fundo, tudo o que eu fiz foi dominar a mente do sujeito, fazendo uma espécie de inception. Desde o começo eu queria que ele ficasse puto comigo e utilizei um artifício ridículamente simples pra isso. Digo, parcialmente, porque se ele raciocinasse por 2 segundos e lesse a frase com calma ia perceber o sentido implícito.
Isso é uma dica não só pra internet, mas pra vida. Guarde sua revolta e sua ânsia por ter razão pra você mesmo, porque isso ainda pode lhe fuder muito por aí, principalmente no seu ambiente de trabalho, além de ser chato pra cacete.
P.S.: se você leu o título e ficou putinho, saiu correndo pros comentários ou xingou muito no Twitter, saiba que sua mente me pertence.
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