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  • terça-feira, 11 de janeiro de 2011

    A dinâmica da rotina

    Na fila do caixa rápido do supermercado (que é tudo menos rápido), sempre tem aquelas gôndolas com as revistas da semana. E entre diversas Contigo, Quem, Onde, Quando, Caras, Bundas e afins, há matérias voltadas para a auto-ajuda focada em homens e mulheres com menos auto-estima que um ornitorrinco.

    Dietas milagrosas, cabelo liso num passe de mágica, abdômen do Rambo em 1 semana, ereção de 36h e simpatias para conquistar alguém sempre estão na capa dessas publicações, junto com outro aspecto que considero bem mais relevante: a rotina no relacionamento.

    Vou contar um segredo pra todos vocês, mas não espalhem senão essas revistas deixam de ser publicadas (ou melhor, espalhem). Não querer rotina no relacionamento é proporcional a comer feijoada e não morrer de sono depois, a comer pimenta que não arde, a cerveja sem álcool, a pegar jacaré sem tomar caldo.

    Se você quiser ter um relacionamento que dure mais do que um Mentos na Coca-Light, pode se preparar para cair na rotina. Aquele apetite sexual de um cara que passou 20 anos na solitária, ou a vontade louca de que o tempo pare serão lentamente substituídos por uma inércia quase irreversível. As saídas, assim como o sexo irão ficar bem mais raros. Óbvio que isso não é uma regra nem quero dizer que o sexo ficará burocrático ou sem graça.

    As surpresas como jantares secretos ou buquês de flores se transformarão em surpresinhas bem menos agradáveis como descobrir que a amada ronca ou que o bonitão adora deixar uma cueca freada no banheiro ou a toalha molhada em cima da cama.

    Portanto, minha gente, querer dissociar a rotina de um relacionamento é querer dividir um átomo com uma faca Guinzu. O segredo é saber aproveitar as benesses que uma boa rotina com alguém que amamos pode proporcionar.

    Basta aprender a apreciar a beleza que assistir a novela juntos tem, uma conversa demorada depois do sexo que se torna muito melhor com a intimidade que só vem com o tempo. Tardes juntos assistindo a um filme, passeios pelo shopping para olhar vitrines ou simplesmente fazer planos para o futuro (que chega bem depressa).

    É dizer que odeia o big brother e apostar um com o outro sobre quem vai ganhar, é ficar deitados zapeando canais, é sentir desejo pela mulher mesmo que ela não esteja com as pernas lisinhas e com a depilação em dia e achá-la linda do mesmo jeito, é ser apaixonada pelo cara mesmo com aquela cueca furada e bermuda mostrando o cofrinho cabeludo. É curtir um jantar a dois, seja saindo para um restaurante chique ou pedindo pizza em casa. É marcar uma saída e desistir porque tá frio e ficar juntinho embaixo da coberta.

    Eu particularmente adoro a rotina. Ela me traz momentos de prazer e alegria que as futilidades de um relacionamento vazio e alegria passageira de uma cerveja ou a falsa sensação de liberdade da total independência jamais trarão.

    Eu se fosse vocês, experimentaria.

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    sábado, 18 de dezembro de 2010

    A vergonha Colorada

    Chegou ao fim mais um Mundial de Clubes de Futebol organizado pela Fifa. Um modo de disputa que, se não é o mais justo é pelo menos mais correto do que a antiga Copa Intercontinental, que dava motivos para América do Sul e Europa regozijarem-se de sua capacidade superior de jogar futebol perante os outros continentes.

    O Internacional de Porto Alegre foi à Abu Dabi com o sonho de conquistar o Bi Campeonato. O sonho Colorado de ganhar novamente o mundo, este Inter que é conhecido como o Campeão de Tudo. Mas o que eles não esperavam é ser surpreendidos pelo desconhecido Mazembe, do Congo, time que nunca havia ouvido falar até este torneio.

    Há um ditado que diz: espere o melhor, prepare-se para o pior, enfrente o que vier. Mas quando se trata de futebol brasileiro, isso não acontece. O brasileiro não espera ver o seu time perdendo. Não há glória em ser segundo lugar, muito menos terceiro. Insistimos na arrogância de dizer que temos o melhor futebol do mundo. Hoje não temos sequer os melhores jogadores. Nunca fomos especialistas em trabalhar em conjunto dentro de campo, portanto também não temos nem de longe o melhor futebol do momento.

    O Inter acabou perdendo pro Mazembe, no que transformou-se numa espécie de tragédia colorada. Algo inimaginável. O que os torcedores esperavam (de forma justa) é um grande jogo diante do outro Inter, o de Milão. Mas o futebol é feito de surpresas, de vitórias inesquecíveis e de derrotas tão ou mais inesquecíveis que os sucessos, mas acompanhadas de muita dor e sofrimento.

    Ninguém disse ao Mazembe que era impossível ganhar do Inter, mesmo sabendo que no fundo os jogadores sabiam tratar-se de uma tarefa hercúlea. Mas quando se tem uma chance única na vida, ela deve ser aproveitada e foi o que eles fizeram.

    A derrota do Inter, em si, não foi vergonhosa. Vergonhosa é essa nossa arrogância de achar que somos invencíveis, os melhores e que os outros times ou países tem que beijar as nossas chuteiras e resignar-se diante de nossa superioridade. Esse choro de perdedor é que é indigno.

    A grande diferença do Inter pro Mazembe não é as dezenas de títulos conquistados pelo Alvirrubro Gaúcho. A grande diferença é que mesmo com a derrota de hoje por 3x0 para a Inter de Milão, os jogadores africanos serão recebidos como heróis em seu país. O Inter com a vitória de 4x2 e o 3° Lugar conquistado, será lembrado como um time derrotado, envergonhado, irá demitir seu técnico, reformular o elenco e tentar esquecer esse campeonato.

    Da mesma forma que esqueceram que para ter chegado onde o Inter chegou, foi necessário ser vice-campeão do brasileirão de 2009 e mais, campeão da Libertadores de 2010. Essa atitude de alguns torcedores brasileiros faz com que a cada derrota, a gente perca duas vezes. Como esportistas e como seres humanos.

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    quarta-feira, 17 de novembro de 2010

    Deixe a minha sacolinha ser feliz.

    Eu não deixo de usar sacolas plásticas. Sério, não deixo, nem vou deixar. É muito cômodo pra mim colocar as compras em sacolas, jogar no porta-malas do carro e reaproveitar os saquinhos para o lixo depois. Eu sei que podia 'fazer a minha parte' carregando um carrinho de feira completo numa caixa de papelão, mas não dá. Eu poderia ter 3 ou 4 cestos de lixo diferentes pra ajudar na coleta seletiva, mas de que adianta, se o caminhão de lixo vai juntar tudo e moer?

    Eu entendo que os ecossistemas devem ser preservados o máximo possível. Mas não acho que devamos voltar para as cavernas. Há medidas muito mais eficientes do que ganhar 0,03 cents de desconto na fatura se eu parar de usar sacolas plásticas no supermercado. Não são só as pobres sacolinhas as responsáveis pelo aquecimento global ou depredação no mundo. Vamos parar de comprar refrigerante em garrafa PET também?

    Não é a sacola plástica quem polui o mundo. É quem pega a sacola e joga no chão, dentro do canal ou do rio. Dá pra usar sacolinhas plásticas e fazer a sua parte. Quem tem noção suficiente pra saber como a sacola pode prejudicar o meio ambiente, tem educação (em tese) pra não jogar sacola na rua ou onde quer que seja.

    Eu não acho nada engajado/altruísta pagar 30 contos numa 'ecobag' que sabe-se lá com quais processos de produção foi feita. Aliás, acho burrice dar 30 mangos pra um supermercado milionário numa sacola feia pra cacete.

    Me desculpem os ecochatos, mas eu vou continuar usando as sacolinhas plásticas enquanto os supermercados as oferecerem. É cômodo pra mim. E vou continuar fazendo minha parte não jogando lixo na rua. Pra quem vai carregar as compras em caixas, conheço um bom ortopedista.

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    quarta-feira, 8 de setembro de 2010

    Se não pode vencê-los, morra tentando.

    Em tempos onde senhoras de idade jogam gatos em lixeiras e adolescentes matam filhotes de cachorro indefesos atirando-os na correnteza de um rio, consigo chegar a diversas conclusões que vez ou outra viram dúvidas na minha cabeça. O lance é que a vida era bem mais divertida quando eram apenas dúvidas.

    Falando em Brasil, é triste perceber que Rui Barbosa estava certo quando disse: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".

    Participar de redes sociais, viver 'on-line' é mais perigoso que andar de moto sem capacete. A convergência da sociedade real com a virtual é inevitável, em breve estaremos todos conectados 24h por dia.

    Confesso, eu estou desanimado, bastante. Mas jamais irei rir do caráter ou me envergonhar da honestidade. Sempre irei me revoltar e combater a covardia e a canalhice, seja lá em que universo ela ocorra.

    Se não pode vencê-los, junte-se a eles? Não. Se não pode vencê-los, morra tentando.

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    segunda-feira, 16 de agosto de 2010

    O poder de escolha e o seu sanduíche preferido.

    Escolhas. Fazem parte da vida e estão presentes a cada passo que damos. Somos interminavelmente questionados pelo mundo sobre o que, quando, como, onde e porque queremos determinada coisa ou porque tomamos uma certa decisão.

    O mundo evoluiu mas a nossa capacidade de decidir e pensar continua na Idade da Pedra. Não estamos prontos para a pressão de ter que tomar decisões, sejam elas banais ou importantes o tempo inteiro. Tudo isso justamente por termos hoje uma enorme quantidade de opções, seja lá no que estejamos metidos.

    Já reparou que normalmente sempre que você vai num fast food pede a mesma combinação? O tal do sanduíche preferido. Ele é realmente o seu sanduíche preferido, ou também há aí embutida na escolha uma determinada preguiça de arriscar, ou incapacidade de decidir por algo diferente? Nesse caso, escolher sempre o mesmo lhe deixa numa zona de conforto. Melhor comer aquele sanduíche enfadado, mas que você gosta do que arriscar por um novo e acabar se decepcionando com o gosto.

    O excesso de opções ferra o nosso poder de escolha. Normalmente tomamos decisões por impulso, levados por um desejo qualquer. É por isso que nossas melhores e piores decisões são tomadas por pura impulsividade. E somos julgados da mesma forma. Se a decisão tomada for boa, arrotamos a máxima de quem não arrisca, não petisca. Se a decisão resultar num fracasso qualquer, em questão de minutos aparece alguém dizendo "quem manda fazer tudo sem pensar?".

    Nem sempre podemos jogar a moeda para o alto, decidir entre cara e coroa. Algumas decisões devem realmente ser pensadas antes. Mas se eu pudesse de fato escolher, escolheria saber diferenciar quando eu devo ser impulsivo, quando devo pensar, ou quando simplesmente devo escrever a respeito enquanto como meu sanduíche preferido.

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    quinta-feira, 5 de agosto de 2010

    Eu, BQEG - 31 anos, blogado e prostitwitter

    Tudo começou, há um tempo atrás, na Ilha do Sol. No começo eu só espiava, soltava uma notícia tímida, xingava o Lula de maneira sutil, quase invisível. E aí veio o primeiro seguidor. Mas foi a partir do primeiro RT que um novo mundo se abriu diante do meu monitor.

    Daí até começar a soltar frases feitas e trocadilhos infames foi um pulo. A busca pela twittada perfeita, aquele tweet genial que iria me fazer ter os meus 140 caracteres de fama. E foi aí que eu me viciei. Comecei a sonhar com temas para minha timeline. Parava o banho na metade pra não esquecer aquele tweet que com toda a certeza teria mais de 100RTs.

    Mas que nada, eu não sou viciado, eu paro de twittar na hora que eu quiser. Cinco minutos depois, vinha o smartphone. Socorro! Agora eu posso twittar enquanto ando, enquanto almoço! Almoçar? Quem precisa disso quando se tem o Twitter?

    O que eu não sabia é que o pior ainda estava por vir. Quando eu menos esperei, estava vendendo meus dedos. Twittando anúncios em troca de dinheiro. Virei um prostitwitter! Eu twittava por dinheiro! O que todos iriam pensar de mim? A sociedade é muito preconceituosa! Como as pessoas me aceitariam como sou sabendo que eu twitto por dinheiro?

    E foi por isso que eu resolvi procurar o TA - Twitteiros Anônimos, para contar a minha história. Ainda não estou limpo. Continuo fazendo piadas de gosto duvidoso no Twitter. Continuo ansioso pelos RTs, continuo procurando gente interessante pra seguir. Porque o que importa não é o quanto você twitta, e sim como você twitta.

    E agora minha @ é feliz.

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