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  • quarta-feira, 11 de maio de 2011

    Sobre a Falsa Dicotomia

    Falsa Dicotomia, do latim "não tenho argumentos, por isso uso falácias". Um esporte muito praticado pelas pessoas nas redes sociais e em discussões infrutíferas das mais diversas, seja no Twitter, Facebook, no falecido mIRC ou em grupos de discussão. A necessidade por ter razão e provar que a outra parte da discussão está errada é maior do que o cerne da questão ou mesmo que a qualidade do argumento. Não importa o quão escatológica seja sua verborragia, contanto que no final você vença.

    Vale a pena? Eu, particularmente, acho que não. Me sinto esgotado intelectualmente quando tenho que participar de uma discussão qualquer e escuto pérolas como "mas isso é a SUA opinião", como se eu tivesse moral pra falar pela Presidente, por exemplo. Uma dica: se sou EU quem estou falando, isso reflete a MINHA opinião. Mesmo que ela tenha vindo emprestada de alguém ou roubada na cara de pau mesmo. Prêmio Tautólogo do Ano pra você.

    Na época das eleições era lindo fazer críticas ao PT e ouvir pérolas como "Tucano de merda" ou "Baba ovo do Serra". A idolatria cega as pessoas e fez com que esses arautos da política esquecessem completamente que havia diversos outros candidatos. Essa é a falsa dicotomia, se você critica o PT, NECESSARIAMENTE você é PSDB e vice-versa, não pensem que os eleitores dos outros partidos são diferentes, pois não são.

    Também há aqueles que já começam "argumentando" com brilhantismos e exemplos de erudição como "babaca de merda", "foda-se seu lixo" ou coisas parecidas pra depois dizer que você está errado. O inicio da sua argumentação reflete exatamente o que você vê no espelho.

    Isso sem falar dos Doutores em dialética, oratória e tudo o mais, que esperam você emitir opinião sobre qualquer assunto e, se me permitem, de forma sublime não pensam duas vezes em dizer "você não pode generalizar". Você está falando sobre o povo brasileiro, então na mente energúmena daquele sujeito você deve especificar CADA brasileiro existente pra não cometer injustiças. Esses são os mesmos que dizem "seu cuzão de merda, quem é você pra julgar alguém?". A necessidade de ofender é tão grande que fico pudibundo com a incapacidade da criatura em perceber que ele começou toda sua explanação fazendo um julgamento ofensivo e precipitado.

    Por isso eu digo: discutir na Internet é inútil, mes amis. Aproveitem o seu tempo on-line de outra forma.

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    domingo, 24 de abril de 2011

    Sobre a "crítica construtiva"

    Escrever não é apenas o exercício de transformar pensamentos em palavras, frases ou páginas. Escrever é conversar consigo mesmo e com outros. Se você escreve, é de se esperar que as pessoas leiam, comentem, critiquem, a não ser que você não mostre pra ninguém e mantenha seus escritos guardados a sete chaves, o que eu particularmente acho meio sem sentido. Se é pra fazer isso, que se guarde no melhor cofre possível: na memória.


    Porém, o mais difícil de entender é justamente a crítica. Acho que ninguém está muito pronto pra críticas. Ninguém espera com ansiedade alguém vir dizer que o que você escreveu ou fez é ruim, por exemplo. Mas mais difícil ainda é entender quando as pessoas acham que xingar e ofender é uma crítica válida. Em poucas palavras, não é.

    Imagine: a pessoa discorda do que você falou ou escreveu e começa sua argumentação com "para de falar merda". E segue vomitando fatos como "seu babaca", "palhaço", "morra, imbecil" e o mais contundente de todos os argumentos críticos, o "cala a boca".

    Eu posso ser um babaca sem tamanho, um colossal imbecil. Mas diante disso, quem discorda de mim com um "cala a boca" ou algum dos xingamentos citados e suas variações é indigno até mesmo de ser frieira no meu pé.

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    terça-feira, 15 de março de 2011

    Das perguntas óbvias e da falta de paciência

    Duas coisas que me irritam bastante nessa convivência nem sempre frutífera ou amigável com estranhos em redes sociais são as perguntas óbvias e a projeção. Eu entendo que há pessoas que não conseguem fazer um O com um copo ou executar duas tarefas com certa habilidade ao mesmo tempo, mas isso não quer dizer que EU não consiga.


    Eu sei que fico muito tempo no twitter, escrevo demais por lá. Sei que eu ganharia mais ficando menos tempo por lá. Mais sossego, mais diversão offline, menos stress... Mas POR ENQUANTO, a diversão que eu tenho por ali compensa e EU QUERO perder meu tempo por ali, portando LIDE COM ISSO. Ninguém é obrigado a ler o que eu escrevo, a me seguir ou a concordar comigo. E não, me chamar de arrogante, de babaca ou me mandar tomar no cu não são argumentos e sim, eu tenho todo o direito de me irritar com isso.

    As perguntas óbvias são irritantes não tanto pela pergunta em si, mas pela frequência com que ocorrem. Perguntar coisas como "você não dorme" irritam profundamente. Em primeiro lugar qualquer paramércio sabe que é impossível para um ser humano viver sem dormir. Piorou no meu caso, pois privação de sono me causa enxaqueca forte. Então perguntar se a pessoa não dorme, só por esse detalhe já é uma imbecilidade colossal. Considere ainda o intervalo entre os tweets. Normalmente meu último tweet noturno aparece na timeline lá pelas 23h. Se o próximo tweet só apareceu as 06h da manhã, o que diabos o sujeito acha que eu estava fazendo? Vejam a equação:

    Ultimo tweet às 23h;
    Próximo tweet às 06h do dia seguinte;
    Intervalo de 07h, durante a noite/madrugada;

    CALCULE X, BATRÁQUIO.

    Outra pergunta corriqueira é "você não trabalha?" ou "Você tem emprego ou é só blogueiro?". Bem, pra mim emprego é o que paga o seu salário, independente do ramo ou do que você faz. Ou vai me dizer que se você for empresário não tem emprego? O blogueiro é chefe de si mesmo e escrever em seus blogs é o seu emprego. Que por sinal é legal porque você faz o seu próprio horário, bem melhor do que pegar metrô ou ônibus lotado as 07h da manhã. Mas as pessoas insistem em tratar quem escreve em blogs e vide disso como inferiores, mesmo que eu conheça alguns blogueiros que ganham 6 dígitos por ano somente com seus sites.

    Normalmente isso é uma projeção do sujeito. Ele é desempregado, ele é vagabundo, ele não ganha dinheiro, ele tem uma vida que lhe deixa insatisfeito mas projeta em alguém que ele nem conhece, não sabe sequer o nome direito uma série de frustrações que encontra nele mesmo. É uma forma mais amena de dizer a si mesmo "faça algo, seu merda". Só que isso na frente do espelho tende a ser mais difícil de dizer.

    Então, para todos os efeitos fica definido que eu não durmo, não trepo, não saio de casa, não me alimento e não tenho emprego. Portanto, podem pensar numa lista diferente de perguntas óbvias as quais as respostas não serão muito simpáticas da minha parte.

    Registre-se, cumpra-se.

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    segunda-feira, 14 de março de 2011

    Vem aí a facebookização

    Vez ou outra o termo "orkutização" aparece de novo na minha timeline. Por mais que o assunto esteja esgotado, por algum motivo todos fazem questão de repetir esse jargão como símbolo máximo de sua revolta perante a invasão de brasileiros em qualquer rede social que seja criada. Algumas questões devem ficar bem claras. Em primeiro lugar, o termo 'orkutização' é errado. Se as pessoas são mal-educadas, serão em qualquer rede. Se um dia o orkut for fechado e os usuários migrarem para o facebook, iremos mudar o termo para facebookização? Além do mais é extremamente preconceituoso tratar desse assunto dessa maneira. Já cometi esse erro no passado e não tornarei a repeti-lo.


    Todas as sugestões dadas pelos indignados envolve manter a massa ignara no limbo. Vamos impedi-los de comprar computadores, vamos proibi-los de acessar as redes sociais, vamos bloqueá-los, vamos criar uma nova rede social à prova de ignorantes. Não queria alarmar vocês, mas pensando assim vocês não conseguirão um login na própria rede social que criaram.

    O fato é que faltam escolas, professores e falta educação básica de qualidade, mas isso não é motivo pra impedir que as pessoas tenham computadores em casa. O brasileiro tem essa mania de achar que as coisas tem que ser monotarefa, que pobres não podem ter acesso a tecnologia enquanto não houver escolas para todos. As coisas podem e devem acontecer simultaneamente. As redes sociais devem criar mecanismos que minimizem as tentativas de SPAM, SCAM e disseminação de vírus. Nós como país e como povo devemos educar nossos conterrâneos.

    Mas algo que me deixa curioso é que as pessoas que mais reclamam da 'orkutização' sequer tem paciência pra ensinar o pai ou a mãe a usar o computador da forma adequada. Se você não tem coragem ou paciência pra resolver esse problema dentro da sua própria casa, seu direito de indignação passa a ser bem questionável.

    Devemos aceitar a nossa diversidade cultural e buscar, através da educação, tornar nossos usuários de tecnologia mais seguros e conscientes do poder que tem nas mãos, permitindo que eles possam usar isso da melhor forma possível. Porém, privar o povo do acesso é uma espécie de nazismo intelectual, se é que isso existe.

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    terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

    Manual de como as agências podem tratar os blogueiros

    Com a explosão das redes sociais, é normal que blogueiros tenham ganhado mais espaço e seus blogs sejam alvo de campanhas publicitárias. Eu já vi diversas vezes profissionais e agências reclamando (de forma justa, diga-se) da falta de profissionalismo dos blogueiros. Sites com layouts mal-feitos, e-mails que não são respondidos, falta de mídia-kit, etc. As reclamações são diversas. Mas e o outro lado? E quando são as agências quem pecam no relacionamento e dão mancada?


    O meu objetivo com esse texto é mostrar o lado dos blogueiros. Sei que muitos pensam assim mas talvez não escrevam isso com medo de sofrer retaliações e deixem de ser lembrados quando surgirem campanhas. Mas alguém tem que servir de bucha de canhão em prol do bem coletivo. Sei que depois disso provavelmente jamais farei um publieditorial, mas é a vida. Então, agências, prestem atenção:

    1) Tratamento: não adianta reclamar da falta de profissionalismo do blogueiro se você não o trata como profissional. Converse com ele de igual para igual, como se tivesse contratando mesmo um serviço, e não como se estivesse fazendo um favor;

    2) Follow-up: se você entrou em contato com um blogueiro a respeito de alguma campanha, mantenha contato. Atualize o blogueiro sobre o andamento da campanha, essa troca de informação é importante para que o blogueiro possa melhorar. Não aprove um publieditorial e esqueça o blogueiro em seguida;

    3) Feedback: quando a campanha terminar, compartilhe suas impressões com o blogueiro. Diga o que achou, o que pode ser melhorado e o resultado da campanha. Isso vai servir para os dois lados, agência e blogueiro, produzirem melhores indicadores na próxima campanha;

    4) Dê satisfação: quando for fazer uma proposta, dê satisfação. Diga do que se trata, se é algo certo ou um simples planejamento, não crie falsas expectativas no blogueiro. Seja honesto e informe tudo de maneira transparente e caso a campanha não seja aprovada ou o blogueiro seja descartado da ação, informe e diga os motivos, não simplesmente esqueça que falou com ele;

    5) Não mendigue: se você, agência, tem um relacionamento com o blogueiro, é normal que as duas partes se ajudem. Mas se é o seu primeiro contato, não é legal pedir favores em troca de ´relevância´ (um RT aqui, um Like ali). Já imaginou que saco blogueiro no seu pé mendigando participação em campanha e brinde? Esse tipo de atitude (de ambas as partes) só serve pra prostituir e tirar a seriedade do mercado;

    6) Pague em dia: se você promete o pagamento pro dia X, pague no dia X, não 2 meses depois, a não ser em casos onde você realmente fique impossibilitado de pagar (imprevistos acontecem). Mas de uma satisfação ao blogueiro, pois ele é uma pessoa como outra qualquer, com contas para pagar e está contando com aquele dinheiro. Que tal se seu chefe pagasse seu salário só 2 meses depois da data certa?

    7) Faça o dever de casa: muitos blogs são organizados e tem todas as informações que você precisa no próprio site, como e-mail, midia-kit, etc. Olhe o site antes de pedir por e-mail tudo o que já está à sua disposição. Os dois ganham tempo dessa forma;

    8) Seja parceiro: se o blogueiro faz um esforço para lhe ajudar quando pode, nada mais justo que você faça o mesmo. Lembre-se dele, uma mão lava a outra;

    Pode ser que isso não dê em nada, ou que eu entre pra ´lista negra´ das agências, mas eu como profissional procuro sempre melhorar, portanto, prefiro crer que isso seja visto como um esforço em melhorar o trabalho para ambos os lados. Se não der resultado para mim, mas der resultado para os outros blogueiros que trabalham duro e direito, já terá valido a pena.

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    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

    A dura vida de ganhar uns caraminguás blogando

    Ler esse competente texto do meu amigo Pablo Peixoto me fez refletir. Brasileiros são apaixonados pela Internet. Somos um dos povos que mais tempo passa on-line, principalmente em jogos ou em redes sociais. Demorou, mas as pessoas perceberam que através dessas ferramentas, podem atingir um determinado nível de status, de sucesso ou mesmo ganhar dinheiro.


    Com a popularização dos blogs profissionais ficou parecendo que é fácil ganhar dinheiro com blogs. Muitos caíram nessa e acharam que bastava registrar um blog hoje que o dinheiro começaria a entrar amanhã. Ledo engano. A única forma fácil de ganhar dinheiro é a Mega-Sena e mesmo assim as chances são bem remotas.

    Alguns blogueiros começaram realmente a ganhar um bom dinheiro através do programa do ADSense, do Google. Com a explosão das redes e mídias sociais, outras formas de monetização surgiram, reforçando ainda mais a receita de quem trabalha com blogs. As agências de publicidade passaram a enxergar blogs muito populares como um excelente veículo de divulgação de produtos e marcas de seus clientes. Naturalmente isso alçou os blogueiros a um status mais elevado dentro da internet, alguns chegaram a ficar relativamente famosos e muitos recebem brindes, convites para eventos, etc. E como é lei no Brasil, qualquer um que fizer um mínimo de sucesso será imediatamente alçado a condição de vilão, pois aqui o que vale é o coitadismo. Se você não passou fome 20 anos, não tem uma história de superação bem triste pra contar, você passa a ser alvo da ira dos mal-sucedidos.

    Na minha opinião, produzir conteúdo é criar algo novo. É você criar algo totalmente do zero, ou a partir de certos elementos, mas que passem uma idéia nova. Diante desse contexto, transformar algo que já existia numa outra coisa diferente, pode ser considerado produzir conteúdo, visto que o que está sendo feito é modificar uma idéia, adaptá-la, renová-la.

    Existe outra forma de escrever em blogs e sites que eu chamo de repassar o conteúdo. É como uma fofoca on-line, onde um blogueiro encontra algo legal e simplesmente repassa para seus leitores. Isso não é produzir conteúdo, é replicar algo interessante que foi visto. Como por exemplo achar uma imagem interessante, escrever uma linha antes dela e publicar. Ou mesmo encontrar tirinhas ou piadas em sites estrangeiros, traduzi-los e disponibilizar no blog. Há blogs especializados em fazer isso, achar algo legal e repassar. Isso é errado? De forma alguma. É como você ouvir uma piada legal e sair contando pra todos no trabalho. Mas por algum motivo, blogueiros são cobrados pela santa inquisição da internet a respeito da fonte da piada, da origem daquele assunto.

    Acontece que a Internet é uma terra de ninguém. Quando o conteúdo é produzido, o máximo que o criador pode fazer é tentar de todas as formas vincular seu nome à criação, mas a medida que o conteúdo é repassado, a fonte original se perde. Essa busca por cabeças cunhou um termo chamado "Kibar", que é postar conteúdo alheio sem citar o autor original. O termo Kibar surgiu fazendo alusão a Antônio Tabet, do blog KibeLoco, talvez o blog que mais sucesso fez/faz no Brasil.

    Se observarmos bem, o KibeLoco também produz conteúdo. Até mais que muitos blogs que agridem o autor por postar algo que não é dele sem citar a fonte original. O problema é que cada um sabe de si e tem sua própria ética na hora de postar. Não existe um código formal de leis que ensinem a escrever ou postar em blogs. A questão aí é que a Internet vive de links e os autores vivem da divulgação do seu conteúdo. Os blogueiros são cobrados na Internet pelo "onde você viu". Mas quem cobra não diz de quem ouviu uma piada, cita frases e ditados sem dizer de quem são, etc. Na Internet isso ocorre como reflexo do que acontece no nosso dia-a-dia. Em muitos casos o blogueiro recebe uma foto por e-mail de um amigo, encontra um vídeo por acaso no Youtube, etc. Nem sempre ele "kibou" o conteúdo, ele simplesmente achou perdido. O correto seria sair vasculhando a Internet pra achar o autor original daquilo, mas se isso for feito pra publicar qualquer coisa, por um lado muitos posts deixarão de ser divulgados e as pessoas ficarão privadas daquele conteúdo, por outros é muitas vezes impossível encontrar o autor original nesse imenso mar que é a Internet.

    O que eu quero dizer com tudo isso é que há blogs completamente autorais, onde o conteúdo produzido é todo do dono do blog, mesmo que ele tenha partido de idéias ou assuntos criados por terceiros, há blogs mistos, onde há posts autorais e repasse de conteúdo e há blogs que simplesmente repassam conteúdo dos outros (citando ou não a fonte). Cabe ao leitor identificar e decidir se ele quer ou não continuar lendo esse ou aquele blog. Cabe aos blogueiros decidir com quem eles querem se relacionar e firmar parcerias. Cabe às agências decidir se vale a pena colocar o seu nome e de seus clientes em jogo usando um blog A, B ou C como meio de divulgação.

    O que não cabe é a mim, a você, ou a um bando de twitteiros desocupados decidir o que é ou não kibe. Porque eu já vi muito fulano por aí acusando um ou outro de roubar-lhe uma piada que já era contada fora da Internet uns 40 anos atrás. Mas que a "vítima" do kibe curiosamente esqueceu de citar na hora de acusar o roubo.

    Ninguém produz conteúdo todo dia, o dia inteiro. É normal que conteúdos sejam repassados, replicados. Se fosse errado ou mesmo proibido, de que valeriam os livros de história, sendo eles registros do que já aconteceu mas que continua sendo repassado de geração pra geração? A questão é: como você quer ser lembrado ou reconhecido pelos que vierem depois? Suas ações, sejam elas dentro da Internet ou fora, irão mostrar.

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    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

    A Internet está com azia.

    Houve um tempo em que as pessoas eram reconhecidas por suas qualidades. Qualidades que iam das mais simples às mais extraordinárias, mas ainda assim qualidades. Características das pessoas que serviam para fazer o bem a si mesmas ou a outrem.


    Mas aí veio a Internet e posteriormente as Redes Sociais. A forma como as pessoas se relacionam mudou de forma dramática. Para o bem, aproximando pessoas que moram longe. E para o mal, distanciando pessoas que moram perto. Existe uma relação clara de inversão nos relacionamentos por conta da Internet. A informação está à disposição num clique. E no plano cartesiano dos relacionamentos, quanto mais próxima estiver a pessoa, mais distantes elas estarão. O ponteiro corre com o mesmo frenesi no sentido inverso. Quanto mais longe as pessoas estiverem, pela Internet mais próximas elas irão sentir-se.

    Essa mudança na forma de se relacionar transformou as pessoas em anagramas de si mesmos. Ninguém é um só, não há nada mais que defina aquela pessoa. Não há uma molécula formada, agora todos somos um monte de átomos espalhados. Essa ânsia por ser alguém, ou não ser ninguém, faz com que as pessoas externem uma pequena fração do que elas são de verdade. A única informação verdadeira é o próprio CPF. O resto, um baile de máscaras.

    Eu não sei quando foi que isso começou de fato, nem nunca entendi de verdade em que momento se descrever como bipolar passou a ser algo digno de nota. Ou mesmo fazer parte do Clube do TOC. Pessoas que alegam ter algum tipo de transtorno e demonstram um bizarro orgulho de serem deficientes mentalmente.

    Outras 'qualidades', como ser ácido, cínico, sarcástico e irônico também são vistas com bons olhos hoje em dia. Na verdade todas são variações da mesma falácia. O sujeito tem a audácia de se auto-definir como uma pessoa 'ácida'. Me pergunto se ele consegue derreter metais se encostar nestes. Ou se ele é tão ácido, ou mesmo sarcástico com o patrão que paga o seu salário. Já pensaram como ia ser jóia? O chefe do cidadão dá uma dura nele, e ele solta uma piadinha cheia de malícia e ao ser indagado pelo chefe, responde com um "Calma, chefia! Eu estava sendo sarcástico, você não entende ironia?".

    Ninguém mais se interessa em se auto-definir como simpático, gente fina, sangue bom, de boa, tranquilaço. Todo mundo tem que demonstrar um certo nível de sociopatia (os mais alertas saberão perceber que trata-se apenas de confete).

    Vou te contar: essa sociedade que idolatra e solta fogos de artifício para defeitos e desvios de caráter e personalidade não é pra mim. Ter um pouco de sarcasmo dentro de si, saber usar a ironia quando necessário, tudo isso é válido e faz parte do comportamento humano. Mas forçar a barra pra ser assim o tempo todo é chato pra chuchu.

    Me acordem quando as coisas voltarem ao normal. Por enquanto, me livro de tanta acidez com um pouquinho de sal-de-frutas.

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    quarta-feira, 21 de julho de 2010

    Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém

    Gostando você ou não, a partir do momento em que se envolve com redes sociais, não só a sua privacidade é de certa forma invadida, como você mesmo se expõe até sem perceber. Um pequeno detalhe, uma foto, um comentário e pronto, detalhes que dizem respeito apenas a você, sua família e amigos caem em domínio público.

    A velocidade da Internet para espalhar conteúdo e produzir lixo é a mesma com que suas informações são repassadas de mão em mão, muitas vezes em mãos de pessoas que você não gostaria que chegassem. Porque a Internet é uma terra de ninguém e ninguém quer ser dono de terra na Internet.

    Um talento que muitas pessoas parecem ter no mundo real é o de fazer julgamentos. Todo mundo conhece alguém que acha que num piscar de olhos ou em 10 minutos de conversa conhece uma determinada pessoa. Como se pra você conhecer alguém bastasse uma cervejinha ou pior, como se fossem NÓS quem definíssemos o caráter DOS OUTROS.

    E aí é onde a Internet mostra a parte mais árida de suas terras sem dono: tá na Internet é pra ser julgado e qualquer um pode julgar na Internet. Se a Internet é um Puteiro, o Twitter é o SAC. Todas as reclamações do mundo chegam por ali e você é obrigado a aceitar, ouvir, engolir, tudo na mais perfeita paz e mantendo a pose.

    Quando se tem um certo número de seguidores no Twitter, grande parte das pessoas assumem que necessariamente você é metido, idiota, boçal, pseudo-qualquer-coisa, e demais 'elogios' adjacentes. Não passa em nenhum momento da cabeça deles que:

    1) Você não está ali pra amealhar milhares de seguidores;
    2) Você não é metido a nada, apenas quer trocar idéias, informações, fazer rir e rir junto;
    3) Você quer conhecer gente inteligente, até mais inteligente do que você;
    4) Você quer se aproximar de pessoas que você admira;
    5) Você está CAGANDO E ANDANDO pro que essas pessoas que te xingam estão pensando de você;

    O que as pessoas precisam entender é que o ídolo não se coloca num pedestal. Quem transforma as pessoas num bibelô de cristal são os fãs. Quem me segue, me segue porque gosta de mim, porque acha o que eu escrevo engraçado e porque é fã de piadas muito ruins. Eu não sou ídolo, não sou famoso, não sou celebridade, não sou rico, não sou pseudo-sei-lá-o-quê. Sou um cara normal e muito tranquilo. Se alguém em algum momento tenta me por em algum pedestal eu agradeço educadamente e desço na mesma hora.

    Eu não estou na Internet ou no Twitter pra ser julgado, pois não sou réu de nenhuma acusação. O único crime que eu cometi foi dar atenção a gente idiota e desocupada que nem sequer sabe o meu sobrenome, me julga como ruim em diversas coisas que eu sequer pratico e insiste em me xingar de certos adjetivos que na verdade são coisas das quais eu me orgulho.

    Portanto, não adianta eu me incomodar com isso. Centenas de pessoas chatas me odeiam (?) e não sabem quem eu sou. Nesse caso eu saio em vantagem numérica, pois tenho não apenas um, mas um montão de chatos pra não saber quem são.

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    sábado, 17 de julho de 2010

    Você é o que você é

    A convivência em redes sociais proporciona, como qualquer outra coisa na vida, situações boas e ruins. A Internet encurta distâncias, aproxima as pessoas, provê conhecimento e uma infinidade de descobertas sem você ter que sair do conforto da sua casa. Mas assim como o trânsito e o dinheiro, a Internet também desperta o lixo que habita a mente humana. Nela observamos o que há de mais podre num ser humano.


    Engana-se quem pensa que alguém pode ser simplesmente um imbecil na Internet. Você é o que você é, não há como fugir disso. O seu comportamento em redes sociais e Internet em geral diz muito sobre quem é você na vida offline. Posts, tweets, mensagens, são enviadas por pessoas nessas redes. Há alguém por trás dela que respira, se comunica, pensa. Você é responsável pelos seus atos sejam eles on-line ou off-line. A suposta impunidade é o grande incentivo do anarquista digital, que faz uso do anonimato para expor todas as suas fragilidades e aliviar suas frustrações.

    Não adianta tirar o rato do esgoto e colocá-lo numa gaiola. Mudar o ambiente não irá mudar o que você é, a partir do momento que seu caráter está formado. Por isso é importante educar crianças e jovens. Os mesmos adolescentes que hoje praticam bullying, são histéricos, escrevem de forma vergonhosa são futuros advogados, políticos, talvez até médicos que irão cuidar de nós quando estivermos velhos.

    Mudar é preciso e é possível. Caso contrário uma borboleta jamais deixaria de ser lagarta.

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