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  • sexta-feira, 22 de outubro de 2010

    Viva os Democrápulas.

    Desde que as eleições diretas foram estabelecidas, essa é de longe a pior. Nada de propostas, nada de projetos, nada de ideais. Acusações, quebra de sigilo, bolas de papel. Toda a campanha política está pautada em uma briga entre dois alunos da 5a série. "Professor, ele me chamou de feia". "Professor, os amigos dela jogaram papel em mim".

    A democracia brasileira é puramente virtual. É intangível. E o processo eleitoral mostra isso com fatos, tendo seu ápice na disputa do segundo turno para Presidente. Já não importa mais quem é mais preparado, Serra ou Dilma. Não importa se o PT fez ou não um bom Governo, ou se aproveitou o legado do Governo FHC, ou se o cenário político/econômico mundial era favorável.

    Lula caiu em campanha em favor de Dilma. Acredito que nem no próprio pleito ele se dedicou tanto. Até porque ele não é bobo, sabe que Dilma tem diversas deficiências. Mas minha gente, o Presidente do país PAROU de governar para fazer campanha. O Presidente em exercício esqueceu de finalizar tudo o que prometeu em seus 8 anos de Governo para ir a público chamar o candidato adversário de mentiroso e dizer que 'uma bolinha de papel não é nada demais'.

    Imagine você. O seu Presidente abre a boca pra falar, transfigurado, destemperado, patético, que não há problema em se arremessar uma bolinha de papel no adversário. Afinal, não machuca, né? Ou seja, está permitida a Anarquia, de leve. Uma baderna soft, uma bagunça light. Caro Presidente, com tanta experiência o Sr. deveria saber. Não é o que foi jogado, ou como. É a atitude. É o desrespeito e a ousadia. Só uma bexiga d´água na Dilma? Bobagem, poe no sol que seca.

    Tiririca já é um problema menor. Não importa quem vença a eleição, sairemos perdendo pois dessa vez sequer poderemos cobrar promessas, já que nem isso os candidatos estão fazendo. E o Presidente deixa de exercer sua função para protagonizar cenas na TV dignas do Ratinho ou do programa da Márcia.

    Minha última esperança é que todos eles virem notícia na Sonia Abrão. Quem sabe assim o país melhore.

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    sexta-feira, 27 de agosto de 2010

    Denúncia: Política não é Futebol.

    Eu tenho preguiça de gente obtusa. E nessas eleições, onde mídias sociais fazem com que as notícias pipoquem em nossas telas e repiremos política, essa minha preguiça atinge níveis estratosféricos. O complexo de vira-latas que aflige o povo brasileiro não dá uma trégua nem na hora de escolher quem vai governar o País e os Estados.

    Eu duvido muito que um fundamentalula ou uma fundilmentalista saiba sequer qual é o plano de governo da candidata petista. O mesmo vale pros Serralheiros. Eu nem vou me dar ao trabalho de citar eleitores da Marina Silva ou dos outros candidatos. Essa é uma briga de cachorro grande. Me enche o pacová, ser contra "A" e automaticamente alguém inferir que eu sou a favor de "B". Eu sou contra estupidez e a favor da liberdade de não ter meu saco inflado.

    O brasileiro médio não vota por ideologia ou por acreditar nas propostas de candidato A ou B. Acredite, tudo o que o candidato A ou B fala no horário político, nos debates e nos palanques é um mero RT de propostas que são empurradas ao povo faz umas boas décadas. É sempre o mesmo papinho. Melhorar a educação, a saúde e o emprego. Repita a cada 4 anos. Faz sucesso, acreditem. Nada do que os candidatos prometem em campanha está no papel, documentado ou oficializado. Não se surpreendam se nada for cumprido.

    Você, que defende a Dilma ou o Serra com unhas e dentes está perdendo o seu precioso tempo. Eles estão cagando pra mim e pra você. Você, com seu comportamento xiita como se a eleição fosse um campeonato de futebol quer apenas que o candidato para que você torce vença. É tipo o sujeito que odeia carnaval, mas torce pra Mangueira e fica feliz quando ela vence uma das "competições" mais estúpidas do universo.

    Não cansem minha inteligência arrotando números jogados na mídia. Não me venham falar de melhoria da qualidade de vida de um pobre. Você não mora num casebre, você não se alimenta de palma. Você, jovem, no conforto do seu lar, faça um bom uso da sua banda larga e pesquise sobre o que os candidatos estão prometendo, quem são suas coligações, como anda a ficha e o histórico político deles.

    Não me venham com torcida contra ou a favor. Pegue a sua camisa, e dê pra um morador de rua que passa frio. Pegue o seu adesivo, e cole na sua boca. Pegue a sua bandeira, e limpe a bunda com ela.

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    segunda-feira, 23 de agosto de 2010

    Brasil: um país onde "honestidade" é diferencial no currículo.

    Parem o mundo, eu quero descer. Parem o mundo, pois está tudo de cabeça para baixo. A vida virou uma brincadeira sem graça onde todos podem burlar as regras e está tudo bem. Ser honesto é feio e andar na linha é para idiotas. O brasileiro tem bunda de aço. Só isso explica essa habilidade nata de gostar de levar chute na bunda. Seja do governo, seja de outros brasileiros.

    Se você reclama da fila no supermercado, é tido como chato, estressado. Se você exige os R$0,05 de troco que o supermercado alega não ter, logo vem um te chamar de pão-duro. Só nessa pocilga chamada Brasil é normal você deixar dinheiro de graça para redes de supermercados, que faturam bilhões por ano. Faz um teste e experimenta tentar fazer uma compra faltando R$0,05.

    Vivemos num país onde reclamar e exigir direitos é errado e feio. O normal é andar com o carro na contra-mão, ligar o pisca alerta e parar em fila dupla pra pegar o filho na escola, receber troco a mais e contar para os amigos como se deu bem.

    Estar na moda é ter um Smartphone da última moda e recusar-se a pagar R$10,00 num software pois pagar por isso é coisa de otário. Roubar um biscoito num supermercado é feio, mas pagar um por fora pra ter mais canais na TV à cabo é perfeitamente aceitável.

    O brasileiro só se "ofende" com o roubo tangível. Se eu puser as mãos num biscoito, é um roubo concreto. Mas roubar banda da operadora não é nada demais, afinal é algo que não pode ser "tocado". Assim como o sinal da TV à cabo. Esses mesmos paquidermes são os que reclamam no Twitter que a qualidade do serviço de banda larga é péssimo e bradam aos quatro ventos que são cidadãos honestos e que pagam impostos. Vocês são um bando de bundões, isso sim.

    Não tenha vergonha de exigir os seus direitos. Cobre cada centavo do troco do supermercado. Se possível evite pagar em dinheiro, passe no débito, pois milhões são dados de graça por ano a essas redes e ficam DE GRAÇA para eles. Eles sequer repassam para os funcionários ou para instituições de caridade quaisquer.

    Pare de ter vergonha de reclamar. É por esse pensamento conformista e relaxado que pequenas aberrações são vistas diariamente. Volte a se indignar com gente que não respeita leis de trânsito, estaciona errado, rouba vaga de deficientes no shopping ou toma o assento dos idosos no ônibus. Reclame em voz alta que está errado. A vergonha que o outro irá sentir será enorme. Pode não mudar o comportamento do idiota, mas fará você se sentir bem com seu dever cívico de cidadão.

    Ser honesto não é algo que deva ser colocado no currículo. É como respirar, é o MÍNIMO que você deve fazer para viver bem em sociedade. Devolver uma carteira encontrada na rua não é notícia pra sair em jornal nem algo que você deva se orgulhar. É algo que devemos considerar PLENAMENTE NORMAL.

    A eleição está aí e estamos batendo palmas para atitudes que deveriam ser corriqueiras. A culpa do estado deplorável que o país se encontra não é de projetos de gente que burlam as leis e cospem em cima da civilidade. A culpa é nossa, que não mais nos indignamos com essas coisas e ficamos calados, feito uns babacas, deixando nosso troco de graça pro Supermercado.

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    segunda-feira, 26 de julho de 2010

    Nunca antes na história desse país odiamos tanto a Política

    O brasileiro é avesso à Política. Gosta muito da palavra Democracia, apesar de pouco praticá-la. Sim, falo dos cidadãos, não dos políticos. Afinal, quem já não quase foi atropelado ao tentar atravessar na faixa de pedestres? Quem nunca viu carros estacionados em diagonal ocupando duas vagas nos supermercados, inclusive vagas destinadas a idosos e deficientes? Adoramos Democracia, odiamos praticá-la. A Democracia no Brasil é meramente teórica, nosso discurso em seu favor é puramente retórico.

    Nas eleições para Presidente deste ano, o uso da Internet como ferramenta de campanha foi liberado com ressalvas. Tudo o que você precisa saber sobre isso está nesse artigo do Inagaki. Mas é provável que poucos leiam o texto até o fim, pois como já disse, odiamos Política.

    Candidatos se perpetuam puramente por preguiça do eleitor. Votamos nos mais conhecidos, por indicação de amigos, parentes ou por interesse próprio. A chegada da eleição às Mídias Sociais é a prova final para demonstrar que eleitores incompetentes elegem políticos incompetentes. A ferramenta mais usada por candidatos, inclusive pelos dois principais (e únicos com chances reais de vencer) postulantes à Presidência é o Twitter. Mas nem sempre a reação dos eleitores é das melhores, a receptividade é pouca ou nenhuma. Isso em parte ocorre por má gestão do perfil do candidato na rede, mas uma boa parcela da culpa é do eleitor, que "está de saco cheio de Política". Ninguém se interessa por seguir um perfil de um candidato, interagir com ele ou sequer fazer qualquer pergunta. Receber um follow ou um reply de um candidato é quase que um block & report spam anunciado, assim como SMS ou qualquer outro meio de comunicação que não a propaganda eleitoral gratuita em rádios e TV que todos solenemente ignoram.

    Como querer evoluir como país, se não evoluímos como povo? Abrir a cabeça e os horizontes para novas opções é fundamental para sairmos da Democracia virtual para a prática. Adoramos a igualdade, desde que a gente leve vantagem. Sentimos muita pena e sofremos pelas criancinhas famintas da África, pois elas são problema deles. Mas quando se trata de encarar de frente a nossa realidade, preferimos sempre esperar mais 4 anos.

    E você? Vai ficar aí parado?

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