Pra morrer, basta estar vivo. E no Brasil.
Não me impressiona toda a atenção dada à morte de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. Não só por sua figura alto astral, sempre esbanjando bom humor e alegria, mas também pelo simples fato dela ser empregada da Globo há décadas.
Não sei os pormenores, pelo menos não mais do que qualquer outra pessoa que tenha assistido o que viu no Jornal Nacional. Não posso afirmar se o motorista estava fazendo racha, se os policiais foram subornados, se Rafael andava de skate em local e horário impróprios. O que me incomoda é outra coisa.
Fosse o adolescente morto pobre, que fim teria essa história? Pergunta retórica. Segundo o site PE Body Count, só em Pernambuco, foram cometidos 2117 homicídios (registros oficiais), 8 só hoje, até o momento em que escrevo esse post (243 em Julho). É muita gente morrendo por nada.
Recife é uma cidade menor do que Chicago. Segundo a Wikipédia (em inglês), a cidade americana teve oficialmente 458 homicídios em 2009. Recife teve APENAS NO MÊS DE JULHO, metade do que a cidade americana (que é 40% maior) teve em um ano inteiro. Talvez isso dê um pouco de noção sobre como morre gente no país.
Pouco me importa se o filho da Cissa Guimarães tem culpa ou não na história. Me importa apenas a atenção exagerada ao caso considerando que temos coisas muito mais importantes para nos preocupar. Algum conhecido, amigo ou parente seu pode estar sendo assassinado nesse momento, enquanto todos sofrem a dor sentida pela Cissa.
Perder um filho é uma dor irreparável, não precisa ser pai ou mãe pra saber disso. Só em Pernambuco, 2117 pais e mães já passaram por isso em 2010. Se bem que já faz uns minutos que não dou uma olhada no PE Body Count...
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